Presidente se irrita com cobranças de ambientalistas

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Publicado sexta-feira, 28 de novembro de 2003 as 13:35, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com irritação e mau humor às cobranças de manifestantes ambientalistas na abertura da Conferência Nacional de Meio Ambiente, no Centro Comunitário da Universidade de Brasília. “Não tem forma mais autoritária de comportamento do que uma pessoa querer fazer prevalecer seus interesses sobre os da maioria do povo. Perdi três eleições, sei dos meus compromissos. Nem direita, nem esquerda farão acontecer nada sem que haja debate, porque a vontade da maioria tem DE prevalecer”, afirmou bastante irritado o presidente em resposta às manifestações..

A irritação do presidente foi provocada quando, enquanto ele lia o seu discurso na abertura da Conferência, vários manifestantes começaram a levantar faixas. Uma delas, levantada bem próximo ao presidente, dizia: “O PL da biossegurança está sendo destruido no Congresso. O governo não vai fazer nada? “Lula, então, interrompeu a leitura do discurso no qual defendia a integração também nas áreas ecológicas e cultural e afirmava que o Brasil precisa trançar as redes para garantir o futuro sustentável e passou a falar de improviso. “Nasci na política da adversidade. Aprendi a política na confrontação. Se tivesse medo de grito, eu nem teria nascido”, afirmou.

“É muito fácil colocar obstáculos ao invés de construir”

O presidente afirmou também que é preciso encontrar uma solução para que o meio ambiente não seja entrave para o desenvolvimento. “Vamos resolver o problema da (falta de) água, da seca no Nordeste porque é muito fácil ficar lá em São Paulo ou Brasília fazendo crítica sem ter sofrido com a seca”. E acrescentou: “é muito fácil colocar obstáculos ao invés de construir”.
Para mostar a disposição de resolver as questões do meio ambiente, Lula citou projeto do ex-deputado Fábio Feldman (presente ao encontro), que trata da Mata Atlântica. O projeto foi apresentado há dez anos, e não foi aprovado até hoje. “O Fábio Feldman, que está aqui – e o partido dele foi governo por oito anos – tinha maioria absoluta no Congresso e durante todo esse tempo não foi votado o projeto da Mata Atlântica. Segundo o presidente, um acordo de lideranças vai permitir que o projeto seja votado pela Câmara na sessão de 3 de dezembro.

“Nós não temos mais de 200 deputados e vamos votar. Porque política não é imposição. Política se faz com capacidade de articular e convencer”, disse.

Ainda na parte escrita de seu discurso, o presidente afirmou que a resposta para a pobreza não é o vale tudo ambientalista. “O deserto não sacia a fome, a água poluída não mata a sede. A terra comprometida não deixa nascer”, afirmou ele. Lula ressaltou que o projeto de lei que regula a biossegurança foi resultado de negociação. Lula concluiu seu discurso afirmando que no final de seu governo ninguém vai morar em Paris ou Nova York ou trabalhar em banco ou multinacional. Ele frisou que vai voltar para São Bernardo do Campo.