Presidente do PDT quer se afastar da base aliada e abre fogo conta o PT

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Publicado domingo, 26 de abril de 2015 as 18:56, por: cdb
Ministro do Trabalho, Carlos Lupi
Ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi agora quer se afastar da base aliada

As últimas declarações do presidente nacional do Partido Democrático Brasileiro (PDT), Carlos Lupi, serviram para abalar, ainda mais, a já desgastada estrutura da agremiação política fundada, em meados do século passado, por Leonel de Moura Brizola, ex-governador dos Estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Agora, o partido que já foi socialista, ensaia uma nova queda para a direita.

– Apesar de a presidenta Dilma Rousseff admitir a presença de elementos da extrema direita em seu conjunto de ministros, como Joaquim Levy, que defende a privatização da Petrobras, o presidente do PDT foi infeliz em suas últimas declarações, ao defender o afastamento da base aliada. O que ele pretende, com isso, é apenas dominar o partido, que hoje tem no ministro do Trabalho, Manoel Dias, o seu traço de esquerda – afirmou o pedetista histórico Álvaro Bastos.

Em entrevista a um jornal conservador paulistano, o ex-ministro dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, afastado da pasta após uma série de denúncias de corrupção, Carlos Lupi disse que os petistas “roubaram demais” e que o partido deles “se esgotou”.

– O PT exauriu-se, esgotou-se. Olha o caso da Petrobras. A gente não acha que o PT inventou a corrupção, mas roubaram demais. Exageraram. O projeto deles virou projeto de poder pelo poder – disse Lupi um dia após a Petrobras divulgar que a perda da estatal com a corrupção chegava a R$ 6,2 bilhões.

Às vésperas de uma eleição para a Comissão Executiva do Diretorio Regional do PDT, no Rio de Janeiro, Lupi investe contra parte da militância.

– Quem é contra a tentativa de impor uma supremacia no partido, o Lupi trata logo de afastar, como foi o meu caso e o do vereador Brizola Neto, que sequer foi convidado para participar da eleição do Diretório – afirma Bastos.

Em uma conversa com integrantes da legenda, no Estado de São Paulo, Lupi criticou programas fundamentais dos governos petistas, como o Bolsa Família.

– Tirou milhões da miséria, isso é bom para caramba. O Nordeste é outro (avanço), é verdade. Quem não vê isso é mentiroso, nojento. Eu tenho raiva deles. Mas (o governo) criou também uma dependência. Eu vejo gente que não quer trabalhar para manter o Bolsa Família, isso está errado. O programa tem que ser instrumento para tirar da miséria, não para manter na miséria – afirmou.

Lupi também reclamou, junto aos correligionários paulistas, do tratamento que PT vem dispensando ao PDT desde que as duas legendas formalizaram a aliança em 2006, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputava a reeleição.

– A conversa com o PT, com o meu amigo Lula e com a presidente Dilma, é qual o naco de poder que fica com cada um. Para mim, isso não basta. Eu não quero um pedaço de chocolate para brincar como criança que adoça a boca. Eu quero ser sócio da fábrica, eu quero ajudar a fazer o chocolate – reduziu.

Lupi já foi apontado como o pedetista que mais resistia à ideia de deixar a base aliada. Agora, diante da maior crise no PT desde que assumiu o governo, em 2003, o dirigente trabalhista mudou de ideia:

– A gente não quer ser um rato, que foge do porão do navio quando entra a primeira água, mas também não queremos ser o comandante do Titanic, que ficou no barco até ele afundar.