Presidente do Parlamento israelense critica Sharon

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Publicado segunda-feira, 28 de janeiro de 2002 as 23:05, por: cdb

A celebração da criação do Knesset (Parlamento) de Israel converteu-se nesta segunda-feira em uma áspera troca de palavras entre seu presidente, o trabalhista Avraham Burg – que defendeu o triunfo “da democracia e não das Forças Armadas” – e o primeiro-ministro, Ariel Sharon. Para Burg, o governo deve atuar “de modo (a permitir) que seja a democracia que triunfe e não as Forças Armadas”. As palavras do presidente do Legislativo surpreenderam a platéia, que esperava discurso alusivo apenas à data. “Enquanto o nosso Exército coleciona ´vitórias´, os funerais não terminam mais”, acrescentou Burg em tom irônico. Sharon, líder do Likud, replicou prontamente: “Democracia não significa render-se a forças maléficas. Uma democracia deve saber defender-se quando é atacada”.

Burg aceitou o convite feito na semana passada por seu colega da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Ahmed Qrei (ou Abu Ala), para ir a Ramallah, o que causou mal-estar no governo israelense, no Parlamento e no próprio Partido Trabalhista. Sharon, que em dezembro proibiu o presidente israelense, Moshe Katzav, de fazer uma visita similar, teme que o presidente da ANP, Yasser Arafat, “aproveite com fins propagandísticos” a presença de Burg em território palestino.

Vários legisladores assinaram nesta segunda-feira uma petição na qual expressam seu total desacordo com a visita de Burg a Ramallah, enquanto o presidente do Partido Trabalhista e ministro da Defesa, Benyamin Ben Eliezer, rival pessoal de Burg, disse que a visita “não poderá realizar-se, porque os serviços de segurança se opõem” a ela. O presidente do Knesset está disposto a realizar a viagem a Ramallah sem escolta e como “simples deputado”. Burg ratificou nesta segunda-feira sua oposição à ocupação dos territórios palestinos, definida por ele como “fonte de corrupção”.

“Existe consenso demais em Israel, e também os generais cantam em coro com os políticos, como se fosse o coro do Exército Vermelho”, ironizou Burg. “Democracia e ocupação militar não podem jamais colocar-se de acordo. Mais cedo ou mais tarde teremos que escolher entre uma coisa e outra. Israel se iludiu ao achar que podia ter os dois. Agora o sonho se fez em pedaços”.