Presidente do Parlamento assume governo timorense

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Publicado quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008 as 10:32, por: cdb

O presidente do Parlamento timorense, Fernando La Sama de Araújo, assumiu nesta quarta-feira a presidência interina do país. Ele deve determinar a criação de uma comissão internacional para investigar os atentados contra o presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, na última segunda-feira.

La Sama classificou os atos como uma “tentativa de golpe de Estado muito grave, que precisa ser investigada profundamente”. Ele disse ainda que deve convidar especialistas internacionais como portugueses, ingleses, indonésios e filipinos para ajudar no caso.

Independentemente da investigação, ele considerou que “o diálogo acabou” e que os rebeldes que têm armas “devem entregá-las e render-se”.

Questionado se dará ordens às forças internacionais para prender os acusados, La Sama disse que sim, e que diante do que ocorreu, “não há mais diálogo, não há mais aproximações, e o Estado vai dar ordens”.

Ele destacou que o Timor Leste, como “nação nova, nunca tinha pensado muito nas questões protocolares e de segurança”, mas que o acidente de segunda-feira vai obrigá-los a repensar a situação.

– Sentimos que é necessário. O povo ainda sofre e não queremos entrar na vida rígida do protocolo,. Depois do que aconteceu, temos que montar um sistema para dar segurança à soberania do Estado – disse.

Sobre Alfredo Renaldo, autor dos ataques e candidato que nas eleições presidenciais de 2006 declarou apoio a La Sama, o futuro presidente interino disse  “desconhecer” as razões que levaram o major a apoiar sua vitória durante o período eleitoral. Constitucionalmente, Fernando La Sama Araújo é o substituto legal do presidente timorense, José Ramos-Horta, hospitalizado em Darwin, na Austrália, após ser ferido no estômago durante o ataque.

La Sama estava em visita a Portugal e, por isso, não pôde assumir o cargo interinamente, transferido ao vice-presidente do Parlamento, Vicente Guterres.

Ramos-Horta foi ferido por tiros na segunda-feira, em sua residência em Díli, durante um ataque que matou o major Alfredo Reinado, autor do atentado. Menos de uma hora depois, Xanana Gusmão escapou ileso de outra emboscada, quando se dirigia de sua residência para a capital do Timor Leste.

Após os atentados, o presidente interino, Vicente Guterres, decretou estado de sítio por 48 horas.