Presidente do Chile propõe novo prazo ao Iraque

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Publicado sábado, 15 de março de 2003 as 10:20, por: cdb

O presidente do Chile, Ricardo Lagos, propôs, nesta sexta-feira, um novo projeto que concede ao Iraque um prazo de três semanas para cumprir cinco metas verificáveis de desarmamento, ou deverá, caso contrário, enfrentar as conseqüências, incluindo uma ação armada.

Pouco depois do anúncio de Lagos, o Governo dos Estados Unidos comunicou que não apoiaria a proposta do Chile.

“Nem consideraremos isso”, declarou o secretário de imprensa da Casa Branca, Ari Fleischer.

O presidente chileno disse, em uma entrevista coletiva, que o rascunho do plano foi preparado junto com outros membros não permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), cujos nomes não especificou.

“Elaboramos, em conjunto com outros países, uma proposta para o Conselho de Segurança, que exija cinco condições básicas que garantam o desarmamento efetivo de Saddam Hussein, provenientes do atual processo de inspeções e que devem ser cumpridas em um prazo de três semanas”, disse Lagos.

“Para nós, esse prazo é realista a partir do momento que seja aprovado pelo Conselho de Segurança”.

Entre os requisitos que o Iraque deveria cumprir estão: permitir que 30 cientistas iraquianos sejam entrevistados por membros da ONU fora de seu país; revelar onde estão seus estoques de gás nervoso ou provas de que foram destruídos; informar sobre os 100.000 litros de antraz não encontrados ou entregar dados que comprovem sua destruição; destruir todos os mísseis Al Samoud 2 e todos seus componentes; e apresentar um relatório completo que demonstre que seus aviões de controle remoto não são utilizados para portar armas.

Anteriormente, o Chile havia declarado que não apoiaria o último projeto de resolução proposto por Estados Unidos, Grã-Bretanha e Espanha, que dava um ultimato ao Iraque e abria caminho para o início de uma guerra.

O presidente chileno disse também que sua proposta já foi comunicada ao primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e que circulará entre o Conselho de Segurança da ONU com a intenção de captar mais apoio a favor dessa iniciativa.