Presidente do Brasil surge como novo líder sul-americano

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Publicado quinta-feira, 16 de janeiro de 2003 as 00:21, por: cdb

Em sua primeira viagem internacional como presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva deu mostras, nesta quarta-feira, do seu potencial de líder da América do Sul, ao participar da posse do presidente do Equador, Lucio Gutiérrez.

Mesmo sendo chamado por Gutiérrez de “José Inácio Lula da Silva”, na gafe mais comentada da posse, Lula foi um dos três chefes de Estado mais aplaudidos durante a apresentação dos convidados ilustres, junto com os presidentes Fidel Castro, de Cuba, e Alvaro Uribe, da Colômbia.

O presidente brasileiro não perdeu tempo em colocar em prática seu plano de unir os países sul-americanos em prol do fim dos conflitos na Venezuela.

Em reunião encerrada já à noite, os presidentes do Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru, Chile e Equador acertaram com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Cesar Gaviria, a criação de um grupo de trabalho que tentará solucionar a crise na Venezuela, cujo governo enfrenta uma greve geral há mais de 40 dias.

O novo grupo, formado por Brasil, Estados Unidos, México, Chile, Espanha e Portugal, coordenará suas atividades com a OEA. Chamado pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, de “grupo de amigos do Secretário-Geral da OEA”, os parceiros ajudarão o organismo continental a propor uma saída “constitucional, pacífica e democrática” para o conflito venezuelano.

Questionado pelos jornalistas se a criação do grupo representava uma vitória diplomática do Brasil, Celso Amorim avaliou que trata-se de uma “vitória diplomática do processo democrático, do secretário geral da OEA, e esperamos que seja uma vitória do povo venezuelano”.

Venezuela

Em entrevista a jornais venezuelanos, Lula afirmou que a posição é de encontrar uma solução “pacífica e tranqüila, que possa contentar sobretudo o povo” da Venezuela.

Lula lembrou que a Venezuela é importante para o Brasil, tanto do ponto de vista econômico quanto político e cultural, e por isso guarda carinho muito especial pelo país vizinho.

“Nós queremos que a Venezuela encontre seu caminho da forma mais tranqüila e mais pacífica”, ressaltou. “O que queremos, na verdade, é contribuir para que a Venezuela encontre em paz um caminho e que o povo venezuelano seja feliz”.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, caracterizou como “extraordinária” a iniciativa de Lula de reunir presidentes sul-americanos e Gaviria, com o objetivo de encontrar uma saída para a crise do país.

“É extraordinário, porque Lula e o Brasil devem assumir, como já estão fazendo, o papel de protagonistas na liderança da nova América do Sul”, afirmou Chávez.

Por sua vez, antes do encontro, enviado especial do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos para a América Latina, Otto Reich, afirmou considerar interessante a proposta de criação de um grupo de países que procuram juntos uma solução para a crise na Venezuela.

Segundo Reich, os Estados Unidos tinham interesse em participar do grupo, sem imposições para integrá-lo. O norte-americano lembrou, no entanto, que o grupo deveria dar suporte à OEA. Reich é um dos integrantes da comitiva do governo de Washington que viajou ao Equador para a posse de Lúcio Gutiérrez.

Gutiérrez

Sobre a posse de Gutiérrez, Lula avaliou: “A eleição de Lúcio Gutiérrez para a presidência do Equador significa para o país sul-americano o mesmo que a minha vitória significou para o Brasil”.

Lula lembrou que, assim como aconteceu no Brasil, a escolha de Gutiérrez representa a chegada de um segmento da sociedade equatoriana ao poder, já que o novo presidente foi eleito graças ao apoio dos indígenas.

O brasileiro fez um alerta: “Não podemos esquecer que a nação é composta por outros setores da sociedade e que precisamos fazer política com todos os segmentos da sociedade”.

Fome Zero

Também em entrevista à imprensa venezuelana, Lula defendeu o projeto de combate à fome de seu governo, o Fome Zero. Lula argumentou que nenhum