Presidente do BID diz que Brasil será a estrela da reunião anual

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Publicado sexta-feira, 21 de março de 2003 as 11:34, por: cdb

O Brasil será a estrela da reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A avaliação é do presidente do organismo, Enrique Iglesias, declarando em entrevista que a visão sobre o País nos mercados é muito positiva. “O Brasil tem um governo sério, pragmático e, além disso, um governo inspirado por razões sociais”, disse Iglesias.

“Essa busca do equilíbrio entre um gerenciamento econômico sério e a promoção de objetivos sociais é a base de um modelo ideal para América Latina e, por isso, todos estão de olho no Brasil.” A 44ª reunião do BID acontece oficialmente entre segunda e quarta-feira, mas já foram iniciados vários seminários paralelos ao evento em Milão.

Iglesias acredita que os indicadores da economia brasileira têm espaço para continuar se recuperando nos próximos meses. Mas admite que isso vai depender da extensão do impacto da guerra no Iraque. “É muito importante que a situação internacional facilite resultados rápidos para o Brasil”, disse.

Segundo ele, se a guerra não for longa, o impacto na economia brasileira será marginal. “Com a guerra, os investidores ficam mais cautelosos, esperando para ver o que vai acontecer e isso não é bom para a América Latina”.

US$ 850 mi para exportadores brasileiros

O BID pretende aprovar em 2003, em parceria com bancos privados, um total de US$ 850 milhões em linhas de financiamento para os exportadores brasileiros. Na semana passada, o BID anunciou uma linha de crédito de US$ 180 milhões para o Bradesco. “Estamos negociando com outros bancos privados e pretendemos em breve anunciar novos créditos”, disse Enrique Iglesias.

“Essas linhas são destinadas principalmente aos pequenos e médios exportadores, que têm encontrado maiores dificuldades em financiar as suas vendas externas.” Iglesias confirmou também que o governo Lula, ao longo dos seus quatro anos de mandato, deverá receber cerca de US$ 11 bilhões do BID. Desse total, cerca de US$ 5,5 serão desembolsos de financiamentos já acertados e o restante de novos créditos.

“Otimismo cauteloso”

Enrique Iglesias disse que na cerimônia de abertura da reunião anual do BID irá afirmar que tem um “otimismo cauteloso” sobre as perspectivas da economia latino-americana. No ano passado, o PIB da região encolheu. “Não há dúvida que a situação está melhor do que no ano passado”, disse.

“O Brasil melhorou muito, a Argentina também está dando sinais positivos que indicam um crescimento de 4% ou 5% neste ano.” O México, segundo ele, também deverá alcançar um crescimento entre 2% e 3%. “Mas tudo depende que a situação internacional dê sinais tranqüilizadores”, observou.

Iglesias admite que a relação entre os Estados Unidos e a América Latina vive uma fase “complicada”, ainda mais depois da decisão da Casa Branca de atacar o Iraque sem o aval das Nações Unidas, uma atitude condenada por vários países da região. “Podemos ter alguns momentos de tensão, mas é preciso não perder a perspectiva histórica”, disse.

“O relacionamento da América Latina com os Estados Unidos tem profundos interesses comuns, no longo prazo a complementariedade entre o Norte e o Sul da América é realidade e isso é que vai sobreviver”.

Reunião

Os delegados que vão participar da reunião do BID já estão chegando a Milão. O início da guerra, no entanto, deverá reduzir bastante a expectativa de que o evento fosse atrair cerca de quatro mil pessoas. Entre os integrantes da delegação oficial brasileira, estão o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, o ministro do Planejamento, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.