Presidente da Nigéria pede a Buhari que “não incite os militares”

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Publicado sexta-feira, 18 de abril de 2003 as 19:06, por: cdb

O presidente da Nigéria, o general da reserva Olesung Obasanjo em uma mensagem nas vésperas das eleições do próximo sábado, advertiu o seu principal adversário, o também general reformado Muhammadu Buhari, para não “incitar os militares”.

A advertência, segundo pessoas próximas ao presidente, foi feita em uma carta a Buhari, que tem como principal curral eleitoral o norte muçulmano do país.

“Tenho certeza que não preciso lhe lembrar que eu, como presidente eleito, tenho a responsabilidade de manter a paz, a lei e a ordem, em qualquer momento e em qualquer parte do país”, afirma Obasanjo em sua carta.

O presidente nigeriano acrescenta que essa tarefa “é uma responsabilidade constitucional que ele deve à nação”, em clara alusão às recentes declarações de Buhari que geraram violência em vários estados onde o ex-golpista tem numerosos simpatizantes.

Os observadores interpretam a mensagem do atual chefe de Estado como uma advertência ao candidato presidencial do Partido de Todos os Povos da Nigéria (ANPP) para que diminua suas críticas ao processo eleitoral, sobretudo aquelas que incitam os membros das forças armadas, a polícia e a sociedade civil a realizar ações “contra os interesses do país”.

Assessores próximos ao presidente disseram em Abuya que a carta foi enviada a Buhari no último dia 16 e que uma cópia foi disponibilizada para os meios de comunicação através do escritório de imprensa do presidente, embora sem comentários adicionais.

Obasanjo avisa ao seu principal oponente “que a responsabilidade de garantir o êxito das eleições deve ser separada das ambições individuais nas urnas”.

“É uma responsabilidade nacional, porque todos os nigerianos esperam que nós lhes asseguremos a paz e a estabilidade durante e após o pleito”, afirma o presidente que concorre à reeleição.

A carta foi divulgada a apenas algumas horas das abertura dos colégios eleitorais, às 8h de sábado (4h horário de Brasília), quando cerca de 60 milhões de eleitores decidirão votar entre Obasanjo, Buhari e mas 18 candidatos à presidência.

Na mensagem, Obajanjo também demonstrou sua preocupação com a possibilidade de seguidores de Buhari protagonizarem atos de violência em caso de derrota de seu líder nas urnas.

O candidato do ANPP disse no início desta semana que as eleições legislativas do sábado passado, vencidas pelo partido do governo PDP com mais do 54% dos votos, “foram as mais fraudulentas da história do país”.

O partido governista, que obteve nessas eleições quase o dobro de votos do opositor ANPP, venceu em 308 dos 360 distritos do país e obteve 190 cadeiras, contra 82 do principal grupo de oposição, enquanto os outros 30 partidos que se apresentaram para a disputa somente elegeram três parlamentares.

Depois de apelar para sua condição de ex-chefe militar e Chefe de Estado, Obasanjo lembrou a Buhari que “incitar a desordem nos serviços de segurança pública e militares é extremamente lamentável”. Além disso, o presidente alertou que a carta seria remetida aos membros do Conselho de Estado e a outras personalidades políticas.

Nem Buhari nem dirigentes de seu partido comentaram a carta do presidente, que também foi enviada a vários embaixadores residentes em Abuya.