Presidente da Firjan critica discurso de FHC

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Publicado sexta-feira, 24 de agosto de 2001 as 16:46, por: cdb

A frase dita ontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso -‘Exportar ou morrer’ – provocou críticas de executivos brasileiros que dirigem empresas multinacionais. Para se queixar da burocracia, o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, respondeu com outra frase de efeito:

– Como é que podemos exportar, se a burocracia é infernal? Exportar ou morrer depende de quê, cara pálida? – devolveu o empresário, durante o seminário ‘Brasileiros de sucesso no mundo globalizado’, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Um dos mais enfáticos, o presidente da Alcoa, Alain Belda, afirma que o governo não tem regras claras para incentivar as exportações.

– O que temos é uma grande incompetência. Exportação é a parte chave de um país, mas o Brasil só tem programa para a inflação – declarou Belda.

O executivo disse ainda que o governo brasileiro não foi capaz de pôr em prática o Mercosul.

– Se há uma coisa importante que deveria ter sido feita há cinco anos, é o Mercosul. Nem isso o governo conseguiu fazer.

Para o presidente da Extracta Moléculas Naturais e ex-presidente da Glaxo Wellcome, Jorge Raimundo Filho, um país não faz um plano de vida ou morte para exportar.

Segundo ele, as regras para as exportações no Brasil mudam do dia para a noite e não há um cenário estruturado.

– Você tem de traçar estratégias e objetivos. O Brasil não tem isso. O presidente do FleetBoston Global Bank e presidente mundial do BankBoston, Henrique Meirelles, disse que o governo precisa desenvolver uma estrutura fiscal que
promova as exportações, a fim de que o setor privado possa trabalhar. Mas ele lembrou que o setor privado também precisa fazer sua parte.