Presidente da Colômbia pede desculpas por criticar ONGs

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Publicado terça-feira, 16 de setembro de 2003 as 13:10, por: cdb

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, anunciou que pedirá desculpas pelo “tom” com que se referiu a algumas organizações não-governamentais (ONGs) defensoras dos direitos humanos. Elas foram acusadas por ele de defender terroristas.

Uribe se desculpou em uma carta enviada ao analista político Eduardo Pizarro e publicada nesta terça-feira, mas advertiu que “na defesa da segurança dos colombianos não haverá fraquezas”.

Cerca de 80 ONGs publicaram na semana passada um manifesto que qualifica como “autoritário” o governo de Uribe em seus primeiros doze meses e aponta reparos à política de “segurança democrática” do governante, que, segundo definiram, deteriora os direitos humanos.

O presidente reagiu indignado e saiu em sua defesa alegando que algumas organizações defendem as teses dos terroristas, referindo-se às guerrilhas esquerdistas.

Ele mencionou um artigo “Em boca fechada não entram moscas”, publicado ontem no jornal de Bogotá El Tiempo. “O presidente da República não pode manter a boca fechada se nisso está o destino da nação. Claro que se o tom das palavras ofende a sensibilidade de alguns, peço desculpas pelo tom”, declarou o presidente colombiano na carta enviada ao pesquisador político da Universidade Nacional.

O presidente disse ainda que em seu governo “só seremos intolerantes com a intolerância. A pátria perdoa o excesso de decibéis, mas demanda entusiasmo na defesa de sua dignidade”. Uribe declarou que na Colômbia há ONGs “comprometidas com o tema da paz, que assumiram uma posição moderada, responsável, equilibrada” e outras “que assumiram um discurso radical, condenatório do Estado, de denúncia e de confronto”.

Nesta segunda-feira, cerca 90 intelectuais e artistas assinaram outra carta qualificando as declarações do governante como um “perigoso equívoco”. As afirmações do chefe de estado colombiano também foram rechaçadas por várias entidades internacionais, entre elas a Anistia Internacional e a Human Rights Watch.