Presença de Temer é ignorada em Moscou e no Brasil situação piora

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Publicado quarta-feira, 21 de junho de 2017 as 13:04, por: cdb

Sem contar o pequeno protesto contra peemedebista, viagem de Temer à Rússia segue inexpressiva e sem resultados práticos.

 

Por Redação, com agências internacionais – de Brasília, Curitiba, Moscou e São Paulo

 

Presidente de facto e alvo de pesadas acusações de corrupção e formação de quadrilha, no Brasil, Michel Temer seguia na sua inexpressiva viagem à capital russa. Sequer a agência de notícia RT, uma das mais importantes da Rússia, tomou conhecimento de sua presença. No encontro desta quarta-feira com Vladmir Putin, a conversa foi rápida e formal. Nenhum avanço nas relações bilaterais. Nenhum acordo comercial fechado.

Durante solenidade nos muros do Kremlin, Temer foi alvo de um pequeno protesto
Durante solenidade nos muros do Kremlin, Temer foi alvo de um pequeno protesto

Para não passar totalmente em branco, Temer foi alvo de um pequeno protesto durante a homenagem ao soldado desconhecido. “Fora Temer!”, ouviu-se do público presente ao jardim Alexandrovski, junto à muralha do Kremlin, onde ocorreu o evento. Temer depositou uma coroa de flores com o cruzeiro do brasão brasileiro em frente à chama eterna do túmulo.

Derrota

Temer soube da derrota do governo na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado ainda na noite passada. Nas brevíssimas palavras aos jornalistas, ele afirmou que a derrota é “muito natural”. Projetos assim passam por várias comissões, onde se “ganha em uma comissão, perde na outra”, desconversou. Mas acrescentou que, em Plenário, a reforma será aprovada, acredita.

Aos seus assessores mais próximos, no entanto, Temer revelou-se irritado com a derrota. Segundo nota publicada, nesta quarta-feira em um dos diários conservadores paulistanos, o tropeço passou a impressão “de fim de governo” e que seu grupo político perdeu o controle da base aliada.

Temer irritou-se, ainda, com a opinião de alguns de seus ajudantes. Parte da comitiva teria dito que o governo entrou na votação de “salto alto”. Não conferiu se teria os votos para aprovar a proposta.

Pressão no BNDES

Para a LCA Consultores, em nota distribuída aos investidores, nesta manhã, o resultado da votação sinaliza que a crise pós JBS interfere, de forma incisiva, na capacidade política de o governo cumprir a agenda das reformas. Embora Temer resista na Presidência da República, seu governo segue desgastado e em situação instável.

“De qualquer forma, este resultado da CAS confirma a avaliação do Banco Central de que aumentou a incerteza quanto à evolução do processo de reformas e ajustes da economia”, disseram os consultores.

Na arena jurídica, as estocadas do empresário Joesley Batista, dono da JBS, voltam a atingir o peemedebista. O delator afirmou, em novo depoimento nesta quarta-feira, que soube do ex-deputado Geddel Vieira Lima que Michel Temer teria pressionado a então presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maria Silvia Bastos, para pressioná-la a atender a um pedido da JBS. O Correio do Brasil noticiou o fato, em primeira mão.

Segundo o empresário, Temer teria pedido a Maria Silvia que não vetasse uma reestruturação societária da JBS no exterior. A data desse encontro não foi informada. Diante das pressões, Maria Silvia Bastos deixou a Presidência do BNDES há três semanas, alegando razões pessoais. Ela confidenciou a assessores e estes vazaram para a mídia conservadora, no entanto, que sua demissão deveu-se à pressão exercida por empresários ligados ao governo.

Mais denúncias

Ainda nesta quarta-feira, vazou parte do depoimento do lobista Lúcio Bolonha Funaro, prestado na semana passada. Ele teria afirmado que Temer orientou a distribuição de R$ 20 milhões desviados dos cofres públicos para campanhas eleitorais. Afirmou, ainda, que tinha conhecimento dos pagamentos de propina feitos pela Odebrecht para obter contratos na Petrobras. E que Temer teria atuado, ainda, em favor grupos privados aliados em 2013 ao editar a Medida Provisória dos portos.

Funaro afirmou também que, no primeiro mandato da presidenta deposta Dilma Rousseff, o então vice-presidente desviou R$ 100 milhões para as campanhas do PMDB. O operador se colocou à “inteira disposição” da Justiça para um possível acordo de delação premiada. Ele citou, em seu depoimento, outros integrantes do PMDB. Entre eles, o chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco; além dos ex-assessores Geddel Vieira Lima e Henrique Alves. O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, e o vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade também constam da confissão.

O depoimento ocorreu na sede da Polícia Federal (PF), em Brasília, e agora faz parte do inquérito em que Temer é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção, obstrução de Justiça e organização criminosa. Na confissão, Funaro disse, ainda, que duas vice-presidências da instituição estavam sob influência de Geddel e do PMDB. A de Fundos de Governo e Loterias (Vifug) e a de Pessoa Jurídica.

Funaro relata que trabalhou na arrecadação de fundos das campanhas do PMDB em 2010, 2012 e 2014. Segundo afirmou aos delegados, ele “estima que tenha arrecadado cerca de R$ 100 milhões para o PMDB e partidos coligados para as três campanhas acima mencionadas”.

As respostas

Advogado de Temer, Antonio Mariz preferiu não comentar o depoimento de Funaro:

— Eu não conversei com o presidente (de facto) sobre isso e não sei do que se trata.

A defesa de Henrique Alves também não quis se manifestar. Geddel Vieira Lima, Gabriel Chalita e Antônio Andrade não estavam disponíveis, até o fechamento desta matéria. A defesa do presidiário Eduardo Cunha também não se pronunciou.

Em nota, nesta manhã, Moreira Franco negou as acusações de Funaro.

“Que país é esse, em que um sujeito com extensa folha corrida tem crédito para mentir? Não conheço essa figura, nunca o vi. Ele terá que provar o que está dizendo. Isso é a mostra da inconsequência dos tempos que vivemos”, diz o texto.