Premiê francês alerta para risco de ataques químicos

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Publicado quinta-feira, 19 de novembro de 2015 as 10:25, por: cdb

Por Redação, com DW – de Paris:

A França corre o risco de sofrer ataques com armas químicas e biológicas no decorrer da luta contra jihadistas, disse nesta quinta-feira o primeiro-ministro francês, Manuel Valls.

– Não podemos descartar nada. Digo isso com toda a precaução necessária, mas sabemos e temos em mente que há também o risco de armas químicas e biológicas – disse Valls. “A macabra imaginação de mentores (de atentados) é ilimitada”, ressaltou.

Valls foi ao Parlamento francês para defender a prorrogação do estado de emergência que foi declarado após os ataques que deixaram 129 mortos em Paris na sexta-feira.

Em discurso ao Parlamento da França, Manuel Valls afirma que ameaça de atentados desse porte não deve ser descartada e pede que União Europeia aprove lei que permite compartilhamento de dados de passageiros aéreos
Em discurso ao Parlamento da França, Manuel Valls afirma que ameaça de atentados desse porte não deve ser descartada e pede que União Europeia aprove lei que permite compartilhamento de dados de passageiros aéreos

O primeiro-ministro aproveitou ainda a ocasião para pedir que a União Europeia (UE) aprove urgentemente medidas para facilitar o compartilhamento de dados de passageiros aéreos.

– Mais do que nunca é hora da Europa garantir o rastreamento de movimentos, inclusive dentro do bloco. Essa é uma condição para nossa segurança coletiva – disse Valls.

Grupo de Saint-Denis

Os supostos militantes islâmicos encontrados pela polícia francesa na quarta-feira em operação com tiroteio em Saint-Denis , subúrbio de Paris, estavam prontos para agir, disse o procurador da República de Paris, François Molins.

– Uma nova equipe de terroristas foi neutralizada e tudo indica, com base em suas armas, sua estrutura organizacional e sua determinação, que o comando poderia ter atacado – disse o procurador em coletiva de imprensa.

Com base nas informações de três fontes, a agência de notícias Reuters noticiou que o grupo planejava atacar o distrito financeiro de La Defense, na capital francesa.

Uma fonte próxima aos investigadores afirmou que o ataque estava sendo preparado para quinta-feira no distrito onde estão sediadas algumas das maiores empresas da França, como a gigante do petróleo Total e o banco Société Générale.

Várias fontes policiais disseram que os alvos eram o shopping center Quatre
Temps e a praça principal do distrito, situado na parte oeste de Paris, segundo a Reuters.

– As forças policiais estavam procurando terroristas que estavam preparando outro ataque, com base em informações dos serviços de contraterrorismo locais e do exterior – teria dito a fonte próxima à investigação.

Durante a operação, uma mulher morreu, ao explodir um cinto de explosivos preso ao corpo, e outro militante morreu quando a polícia invadiu o apartamento em Saint-Denis. A ação policial foi deflagrada como parte da investigação em torno dos atentados da semana passada, que deixaram 129 mortos.

Segundo Molins, os investigadores ainda não podem divulgar a identidade dos dois mortos e dos oito presos na batida policial. O procurador afirmou que a polícia encontrou um celular que pertencia a um dos autores dos ataques da última sexta-feira.

Mentor dos ataques

O jornal norte-americano Washington Post noticiou que Abdelhamid Abaaoud , o militante islâmico belga de origem marroquina acusado de ser o mentor dos ataques de 13 de Novembro, é um dos dois mortos na batida policial em Saint-Denis. Segundo o jornal, a confirmação teria sido feita por especialistas forenses e por funcionários da inteligência francesa, em condição de anonimato.

Supostos terroristas encontrados pela polícia francesa em batida no subúrbio de Saint-Denis estavam prontos para agir, segundo procurador da República de Paris
Supostos terroristas encontrados pela polícia francesa em batida no subúrbio de Saint-Denis estavam prontos para agir, segundo procurador da República de Paris

Molins afirmou que Abaaoud não foi preso na operação. “Abaaoud e Salah Abdeslam não estão entre os detidos”, disse, referindo-se ao suposto mentor e a um suspeito de ter participado dos ataques de sexta-feira que está em fuga.

– Eles estavam esperando encontrar Abdelhamid Abaaoud, mas se depararam com outra coisa, um grupo que estava se preparando para atacar La Defense – disseram fontes policiais à agência inglesa de notícias Reuters.

O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, também sugeriu a existência de outro plano de ataque. “Essas operações foram conduzidas contra pessoas que podiam ter atacado novamente e, mais uma vez, vemos que crimes, assassinatos e barbaridade foram evitados.”

As fontes policiais que falaram à agência Reuters indicaram que Paris tinha recebido informações sobre o planejado ataque em La Defense do serviço de inteligência de Marrocos, que enviou quatro de seus funcionários à França para ajudar a polícia.

François Hollande

O presidente francês, François Hollande, pediu na quarta-feira aos franceses que não cedam ao medo depois dos atentados que deixaram 129 mortos.

– A operação antiterrorista em Saint-Denis confirmou mais uma vez que estamos em guerra, uma guerra contra o terrorismo que decidiu, ele mesmo, conduzir-nos à guerra – disse Hollande num discurso a prefeitos reunidos em Paris. Ele disse que quer uma ampla coalizão contra o “Estado Islâmico” (EI), responsável pelos atentados.

Hollande pretende viajar na próxima semana para Washington e Moscou, a fim de convencer os presidentes Barack Obama e Vladimir Putin da necessidade de combater conjuntamente o grupo jihadista , que domina o norte da Síria e do Iraque.

– Através do terror, o Daesh (acrônimo árabe do “Estado Islâmico”quer semear, pelas suas matanças, o veneno da suspeita, da estigmatização, da divisão. Não cedamos à tentação de recuar, não cedamos também ao medo, aos excessos e aos exageros – afirmou.

O presidente defendeu as “restrições temporárias das liberdades”, assegurando que “recorrer a elas é a forma de permitir restabelecê-las plenamente”.

Depois dos atentados, “a nossa coesão social é a nossa melhor resposta e a nossa união nacional é dela expressão. Devemos ser implacáveis contra todas as formas de ódio. Nenhum ato xenófobo, antissemita ou antimuçulmano deve ser tolerado”, disse.