Preço dos remédios deve subir neste mês

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Publicado quinta-feira, 3 de janeiro de 2002 as 23:20, por: cdb

Ainda neste mês, o preço dos remédios deve subir. Depois do novo reajuste, os preços ficam congelados até dezembro. Segundo cálculos da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma), baseados na fórmula prevista em lei, o reajuste ficará em torno de 7%, em média. O valor exato do aumento será estipulado pela Câmara Setorial de Medicamentos – formada pelos ministros da Casa Civil, da Fazenda, da Justiça e da Saúde e técnicos dos ministérios.

A política de controle de preço dos medicamentos para este ano segue o mesmo cálculo de 2001, uma fórmula matemática estabelecida em lei. Só mudam os valores das variáveis – como flutuação do dólar, alteração dos custos de produção e aumento de preços de matéria-prima – que entram na composição dessa fórmula.

Em novembro, por causa da desvalorização do real em relação ao dólar, o governo antecipou aos laboratórios um reajuste de 4%. Segundo Ciro Mortella, presidente da Abifarma, o reajuste permitido pelo governo só serve para recompor os custos da indústria. “A lucratividade fica de fora desse cálculo.”

O diretor-executivo da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac), José Fernando Magalhães, diz que o controle de preços tem efeito agravante para a indústria nacional. “As margens desse setor são menores, e todo o mercado é nacional, já que não vendemos fora do País. Por isso sofremos mais com o congelamento.”

Dados da Abifarma mostram que, em 2001, 44% dos remédios tiveram aumento. Outros 55% dos produtos tiveram redução de preço. No 1% restante, o preço não variou. Mortella explica que a redução de preços de pouco mais da metade dos remédios foi resultado da diminuição de impostos e de margens de lucro do varejo.

O comércio farmacêutico espera a definição do índice de reajuste com ansiedade. Segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), as margens de lucro do varejo estão cada vez menores.

Em julho de 2000, o governo passou a controlar os preços dos remédios. Nos primeiros seis meses, governo e indústria farmacêutica fecharam um acordo de congelamento. Depois desse período, foi aprovada uma lei que estabelece o cálculo do índice anual de aumento para os medicamentos.