Preço do petróleo registra novo recorde

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Publicado quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008 as 10:19, por: cdb

Os preços do petróleo em Nova York e em Londres mantiveram a tendência de alta iniciada na terça-feira e, nesta quarta, atingiram novos recordes de alta pela manhã, em um movimento de elevação das commodities diante a crise econômica nos EUA e a fraqueza do dólar. Os contratos futuros negociados em Nova York chegaram ao pico de US$ 102,08 o barril, logo nas primeiras horas do pregão, enquanto os contratos do Brent atingiram a máxima a 100,53 o barril. Às 7h26 (horário de Brasília), o petróleo em Nova York estava cotado a US$ 101,41 e o Brent era negociado a US$ 99,88.

Na véspera, os preços do petróleo tiveram um novo aumento em Nova York e em Londres, e fecharam o dia com recordes nos dois pregões. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de WTI para entrega em abril fechou em alta de 1,66%, a US$ 100,88. Já em Londres, o barril do tipo Brent para entrega em abril fechou a US$ 99,75, superando a marca anterior de referência, US$ 99,22, registrada no dia 20 de fevereiro.

Durante a sessão, o barril de petróleo em Nova York chegou a ser negociado a US$ 101,15, a apenas alguns centavos abaixo do recorde alcançado na quarta-feira passada, de US$ 101,32. Uma série de ocorrências no norte do Iraque, na Nigéria e no Irã se juntaram ao inverno gelado nos Estados Unidos e à entrada maciça de fundos especulativos no mercado de matérias-primas como principais fatores que forçaram a elevação no preço do petróleo.

Outros motivos que fazem o preço da commodity subir são a possibilidade de redução da produção por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a desvalorização do dólar ante as outras moedas.

Emergentes contaminados

A alta inesperada no preço do petróleo e a crise imobiliária norte-americana, segundo uma autoridade do Fundo Monetário Internacional, deixaram claro, até agora, que as economias emergentes lidaram bem até aqui com a turbulência no mercado financeiro, mas o risco de contágio não pode ser descartado.

– Ainda que eles tenham conduzido o processo muito bem, e eu espero que continue assim, há riscos de contágio nos mercados emergentes. Ninguém está imune a esse tipo de situação, na qual as condições estão ficando mais apertadas em todo o mundo – comentou com jornalistas Jaime Caruana, diretor do departamento monetário e de mercado de capitais do FMI, em uma conferência do Banco da França.

Dólar em queda livre

Na contramão das previsões de Caruana, o dólar no Brasil segue em queda livre e, nesta terça-feira, fechou abaixo de R$ 1,70 pela primeira vez desde maio de 1999, atingido por operações de investidores atraídos pelos juros altos praticados no Brasil, por entrada de recursos e pelo bom desempenho dos mercados internacionais. A moeda norte-americana recuou 1,29%, para encerrar o pregão a R$ 1,684. Foi a sétima queda consecutiva, na mais longa série negativa desde novembro de 2005.

Analistas acreditam que a principal razão para a baixa do dólar seja a diferença entre os juros no Brasil e no exterior, que alimenta as chamadas operações de arbitragem. A taxa básica de juros local é de 11,25% ao ano, enquanto a norte-americana está em 3%.

– Todo mundo está de malas prontas para cá, em um ambiente de confiança muito grande na economia brasileira – disse um operador de bolsa brasileiro.