Preço do álcool mantém a inflação em alta

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Publicado quinta-feira, 24 de janeiro de 2008 as 10:41, por: cdb

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu em janeiro no mesmo ritmo de dezembro, refletindo uma alta maior dos alimentos, mas uma menor pressão dos combustíveis, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. O indicador avançou 0,70% neste mês, a mesma taxa do anterior, acima da mediana prevista por analistas consultados pela pesquisa semanal do boletim Focus, do Banco Central, que previam uma variação de 0,66%.

Os preços do grupo Alimentação e bebidas subiu 1,96% em janeiro, contribuindo com 0,42 ponto percentual para a taxa do mês. Em dezembro, esse item havia avançado 1,73%. Os custos do feijão saltaram 28,34 %. Outras pressões nesse grupo vieram de tomate, óleo de soja, frutas, ovos, pescados e macarrão. Produtos que dependem do clima, como frutas, costumam subir nesta época do ano.

Os preços das carnes e do frango continuaram em alta, mas em ritmo menor, começando a dissipar a pressão da entressafra dos bovinos do final do ano. Por outro lado, uma menor alta do álcool combustível trouxe alívio para o índice. O preço do produto elevou-se em 2,55 % em janeiro, contra variação positiva de 11,45 % em dezembro. Também diminuíram o impacto sobre o IPCA-15 as altas dos cigarros e de vestuário.

Flávio Serrano, economista-chefe da López León Markets, em conversas com jornalistas, ressaltou que apesar de o IPCA-15 ter vindo ligeiramente acima do esperado, os núcleos ficaram abaixo. O núcleo por exclusão (sem alimentos em domicílio e energia) avançou 0,47%, ante a previsão dele de 0,49%. O núcleo por médias aparadas com suavização teve alta de 0,35 %, contra estimativa de 0,40 %. Sem suavização, o avanço foi de 0,45 %, ante estimativa de 0,46 %.

A inflação em patamar alto foi um dos motivos que levou o Comitê de Política Monetária (Copom) a manter a taxa básica de juros em 11,25 % na véspera. O IPCA-15 é tido como uma prévia do IPCA, o índice que serve de referência para a meta de inflação do governo. A metodologia de cálculo é a mesma, apurando a variação de preços para famílias com renda de até 40 salários mínimos em 11 regiões metropolitanas do país.

A diferença está no período de coleta, já que o IPCA mede o mês calendário.