PRATO PRINCIPAL, O ESTADO BRASILEIRO

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Publicado sábado, 9 de julho de 2011 as 10:27, por: cdb

Por fábio de oliveira ribeiro 09/07/2011 às 13:10

A corda Brasil. Enforca seus Pantagruéis, please.

Corrupção, nepotismo, enriquecimento rápido, imoralidade admitistrativa, tráfico de influência, favorecimento administrativo, pistolão político, privilégios e aposentadorias gordas pagas pelos contribuintes, etc, etc, etc já fazem parte do cotidiano político brasileiro há séculos. Indignação é coisa seletiva. A mesma imprensa que acusa um grupo político de roubalheira é aliada de outro que a pratica fartamente quando está no poder.

A situação é tão lastimável que ninguém escapa no Executivo e no Legislativo. Quem não é culpado por ato próprio o é por aceitar a bandalheira praticada por seus colegas de partido.

No contexto atual nem o Judiciário escapa. Toda semana jornais e revistas anunciam coisas escabrosas praticadas pelos homens de toga: venda de sentenças, nepotismo, favorecimento político, concorrência superfaturada, malversação de dinheiro público, etc, etc, etc. O banditismo judiciário é uma verdadeira praga, nem o Conselho Nacional de Justiça conseguiu moralizar os Tribunais brasileiros, muitos dos quais seguem agindo como se fossem sucursais de quadrilhas político-partidárias ou das outras quadrilhas.

Não conheço nenhuma outra foto que represente tão bem o espírito público brasileiro (ou a mais abjeta falta dele) do que esta, que foi originalmente publicada na Carta Capital. O Estado brasileiro é um leitão. Tirar lascas do orçamento público é uma arte refinada e largamente praticada no Legislativo, Executivo e Judiciário, mesmo quando não exista muito refinamento no ato de saboreá-las.

Cá servidor público eleito e concursado que se dá bem é o que participa da farra. O que não participar é logo congelado ou eventualmente expulso do serviço público ou da política. Há quem diga que isto se deve à nossa natureza macunaímica. Por amor ao rigor e à literatura devo discordar. Afinal, Macunaíma é um trapalhão bem intencionado de moralidade duvidosa, mas se dá mal no final. Os tais da foto e seus “amigos” sempre se dão bem. Eles se parecem mais com Pantagruel, o personagem de Rebelais.

Os políticos e juizes brasileiros são bons vivãs, alegres e glutões. Nada é capaz de saciar sua fome por dinheiros públicos e privados, honestos e desonestos também. Unidos eles tem uma força descomunal. Historicamente tem sido invencíveis. Adaptaram-se ao Império, à República, à Getúlio Vargas, ao liberalismo democrático de 1946 e à ditadura de 1964. Na atualidade estão mais pantagruélicos do que nunca, muitos deles filhos e netos de antigos Pantagruéis.

A democracia não os limita, a ditadura não os reprime. A guerra interna levada a efeito pela ditadura não os alcançou. Quem sabe uma guerra externa seja capaz de fazer isto.

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