Pra baixo todo santo ajuda dólar caiu 9,22%

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Publicado sexta-feira, 2 de agosto de 2002 as 08:04, por: cdb

O dólar encerrou a quinta-feira com uma queda de 9,22%, após os ajustes com o fechamento do pregão eletrônico, vendido a R$ 3,15 e comprado R$ 3,14, segundo números do fechamento definitivo, em uma reviravolta estrondosa após acumular alta de 15% nos últimos três dias e bater ontem em R$ 3,61. O risco do Brasil desabar no momento caiu de 10,61% para 2.062%.

Os dois fatores que contribuíram para a melhora do humor do mercado foram as declarações favoráveis ao Brasil do secretário do Tesouro dos EUA, Paul O´Neill, e os rumores sobre o resultado de uma nova pesquisa eleitoral, que mostraria o candidato do governo, José Serra (PSDB), se aproximando do segundo colocado, o oposicionista Ciro Gomes (PPS).

O dólar já vinha operando em queda durante todo o dia graças ao alívio pela virada do mês, que acabou com a briga para forçar a cotação e maximizar o lucro de quem apostou na alta do dólar para agosto no mercado de futuros.
Há pesquisas da Toledo & Associados e do Vox Populi registradas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) registradas para sair nos próximos dias.
Com o volume baixo de negócios registrado hoje, cada operação produzia impacto sobre as cotações. A partir das 15h30, entretanto, a queda ganhou força, quando começaram a circular pelo mercado rumores de que em um novo levantamento o candidato preferido pelo mercado, o governista José Serra, hoje em terceiro lugar das pesquisas, teria se aproximado do segundo colocado, o oposicionista Ciro Gomes, candidato da Frente Trabalhista.

O mercado teme que a vitória de um candidato de oposição rompa com o atual modelo de metas econômicas, fazendo o país perder o apoio dos investidores internacionais. Além disso, também no fim da tarde, o secretário do Tesouro dos EUA, Paul O´Neill, que recentemente equiparou o Brasil à Argentina, hoje fez elogios rasgados à atuação do governo brasileiro. O´Neill disse que os EUA apoiariam uma ajuda financeira ao país.
Uma missão chefiada pelo secretário do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, está em Washington negociando um novo empréstimo com o FMI.

Entretanto, um comunicado feito pelo porta-voz do fundo, Thomas Dawson, durante a manhã encheu de expectativa o mercado. Ele não deu prazos para a liberação do dinheiro e tampouco falou em montantes, limitando-se a dizer que um novo acordo poderia se estender até o fim de 2003, e que seria necessário o apoio dos candidatos à Presidência. O Banco Central confirmou, no fim da tarde, sua atuação no mercado à vista. Não havia consenso no mercado sobre a intervenção, com alguns operadores afirmando que o BC teria vendido pequenas quantidades de dólares várias vezes durante a manhã e outros, que nenhuma intervenção teria ocorrido.

O mercado viveu um de seus dias mais estressantes ontem, quando o dólar chegou a saltar, durante os negócios do dia, de R$ 3,30 para R$ 3,61 -uma alta nunca vista desde que o real foi criado em 1994. No fechamento, a moeda valia R$ 3,47, após uma série de intervenções do BC que o mercado estimou em US$ 300 milhões. O motivo foi a disputa pela Ptax -a taxa média de câmbio calculada pelo BC no decorrer do último dia do mês, que determina o valor do dólar nos contratos de futuro para o mês seguinte na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) e baliza os lucros e prejuízos dos investidores.

De um lado desse cabo-de-guerra, puxavam os que queriam uma cotação mais alta para aumentar seu lucro, e de outro, uma parcela que queria uma cotação mais amena para não ter grandes prejuízos. “O dólar estava muito pressionado e subiu demais, a tendência agora é recuar um pouco”, disse Marco Antonio Azevedo, gerente de câmbio do Banco Brascan. Analistas e operadores, entretanto, encontram dificuldades para calcular qual seria um patamar razoável para o dólar no momento e projetar até que valor as cotações poderiam ceder.