Powell: ‘Síria pode enfrentar sanções’

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 14 de abril de 2003 as 17:36, por: cdb

O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, insinuou nesta segunda-feira que a Síria poderia enfrentar sanções se apoiar grupos terroristas ou abrigar integrantes do regime de Saddam Hussein.

“Nós examinaremos as possíveis medidas de natureza diplomática, econômica ou outras”, declarou. “Estamos em contato com autoridades sírias”.

Powell disse que os Estados Unidos “temem que a Síria esteja participando do desenvolvimento de armas de destruição em massa”, particularmente das químicas.

Powell acrescentou que Washington também se preocupa com o apoio sírio a atividades e grupos terroristas.

“Nós acreditamos que, à luz desse novo ambiente, eles devem rever suas ações e seu comportamento, não apenas com relação a quem se refugia na Síria e às armas de destruição em massa, mas especialmente o apoio a atividades terroristas”, ressaltou.

“Temos uma nova situação na região, e esperamos que todas as nações da região revisem suas práticas passadas e seu comportamento”.

Nesta segunda-feira, Powell recebeu em Washington a visita do ministro das Relações Exteriores do Kuwait, Mohammed Al Sabah, que defendeu a preservação da integridade territorial do Iraque em meio ao risco de uma guerra civil e exortou o governo norte-americano a retomar as negociações de paz entre israelenses e palestinos.

O chanceler, que também se reuniu com o vice-presidente, Dick Cheney, e o secretário da Defesa, Donald H. Rumsfeld, agradeceu os esforços dos Estados Unidos para descobrir o paradeiro de kuwaitianos capturados pelo Iraque na Guerra do Golfo, de 1991, mas não pôde confirmar informações de que prisioneiros de guerra do país foram encontrados em uma prisão de Bagdá.

“Patrocinar terrorismo”

Chamando a Síria de um “Estado que patrocina o terrorismo”, o porta-voz da Casa Branca Ari Fleischer reiterou as declarações do presidente George W. Bush no último domingo (13) de que o país pode possuir armas químicas, e rejeitou os desmentidos de Damasco sobre o refúgio para lideres iraquianos.

“Não dê guarida a pessoas que oprimiram o povo iraquiano”, advertiu Fleischer, acrescentando “haver uma variedade de recursos diplomáticos disponíveis”.

O porta-voz recusou-se a fornecer nomes de autoridades iraquianas que pudessem estar na Síria.

“Vamos ver o que a Síria decide fazer”, respondeu.

Fleischer disse que “há padrões aceitáveis de comportamento que o mundo e certamente o povo iraquiano esperam que sejam seguidos por seus vizinhos, incluindo a Síria, e parte desses padrões é não abrigar líderes iraquianos”.

O porta-voz citou um relatório público de 2002 da Agência Central de Inteligência (CIA) dando conta de que a Síria “já possui gás que atinge o sistema nervoso, mas está tentando torná-los mais tóxicos e persistentes”.

“Por que deveriam ter armas químicas?”, perguntou Fleischer, observando que a Síria não é signatária do Tratado de Armas Químicas, que proíbe tais arsenais.

Apesar de não excluir explicitamente uma ação militar contra a Síria, Fleischer sugeriu que tal opção não é iminente.

A Síria está na lista do Departamento de Estado de “países hostis” por supostamente apoiar grupos terroristas.

A Síria já rejeitou vigorosamente as acusações norte-americanas, tendo a porta-voz da chancelaria síria, Bouthana Saaban, ressaltado que os único país na região que tem armas químicas e nucleares é Israel.

A porta-voz também se referiu à alegação de que havia um alto funcionário do Iraque perto da fronteira síria.

Ela disse que a Síria nunca teve relações amistosas com o regime do Iraque e o fato de haver funcionário nas proximidades da fronteira, se provava alguma coisa, era que não havia ingressado em território sírio.