Powell muda estratégia de negociação

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Publicado segunda-feira, 15 de abril de 2002 as 00:56, por: cdb

O Secretário de Estado americano, Colin Powell, manteve encontros separados com o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, e com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat. Richard Boucher, porta-voz de Powell, descreveu a conversa com Sharon como “muito boa” e completa.

Sharon propôs novamente a convocação de uma conferência de paz regional, proposta que os palestinos consideram uma perda de tempo. Segundo Powell, a conversa com Arafat foi “útil e produtiva”. Os palestinos, por seu lado, afirmaram que houve progresso nas discussões.

Jon Leyne, o correspondente da BBC que está acompanhando a visita de Powell, afirma que os americanos parecem estar desenvolvendo uma nova estratégia depois do fracasso em obter uma retirada imediata de Israel dos territórios reocupados ou um cessar-fogo por parte dos palestinos. “Powell está tentando persuadir Israel a retirar suas tropas cidade por cidade, pelo tempo em que os ataques a bomba forem interrompidos. Pode ser uma semana longa e difícil”, afirma Leyne.

Líbano
O Secretário de Estado também vai fazer uma visita a Beirute, na segunda-feira, que não estava prevista. Powell vai conversar com o presidente libanês, Emile Lahoud, no que está sendo visto por analistas como uma tentativa de remover a atual ameaça de guerrilhas Hezbollah apoiadas pela Síria, de lançarem mísseis contra o território israelenese, a partir da fronteira libanesa. Powell também deve visitar a Síria, nesta segunda-feira.

Zonas militares
O governo israelense anunciou que está abrindo para jornalistas e funcionários de organizações humanitárias a maioria das cidades que tinham sido declaradas zonas militares fechadas. Mas acredita-se que a Igreja da Natividade, em Belém, o campo de refugiados de Jenin e o escritório de Arafat, em Ramallah, continuem cercados pelo exército e sem acesso. Os negociadores palestinos rejeitaram neste domingo a proposta israelense para acabar com o sítio à Igreja da Natividade, que já dura 12 dias. A proposta era de rendição dos cerca de 200 palestinos refugiados na Basílica. Os palestinos seriam ou julgados em Israel ou iriam para o exílio.