Powell diz que morte de jornalistas foi “acidente de guerra”

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Publicado sexta-feira, 2 de maio de 2003 as 02:10, por: cdb

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, disse nesta quinta-feira que as tropas norte-americanas aparentemente agiram em defesa própria ao darem tiros de tanque em um hotel de Bagdá, matando dois jornalistas, um trabalhando para uma emissora de TV espanhola e outro para a Reuters.

Algumas das equipes de televisão que estavam na entrevista coletiva de Powell usavam camisas brancas com a foto do cinegrafista espanhol José Couso, morto no ataque ao hotel, e a palavra “assassinado”. Nas costas das camisas estava escrito “Nós queremos respostas”.

Powell disse que o ocorrido ainda estava sendo investigado.

– Nós sentimos muito que isso tenha acontecido… mas nós acreditamos verdadeiramente que se tratou de um acidente de guerra -, afirmou Powell.

O cinegrafista da Reuters, Taras Protsyuk, um ucraniano de 35 anos, e Couso, de 37, que trabalhava para a emissora Telecinco, foram mortos quando um tanque norte-americano disparou contra um hotel que era a base de dezenas de jornalistas internacionais que cobriam a guerra. Três outros jornalistas da Reuters ficaram feridos no ataque ao Hotel Palestina.

– Nós tínhamos jovens soldados norte-americanos que estavam tentando liberar aquela área de Bagdá e eles ficaram sob fogo… e suas vidas estavam em risco, pois eles tentaram se empenhar em combate com o inimigo. É como nos entendemos o que aconteceu -, disse Powell.

– Nós acreditamos não ter havido nenhuma culpa por parte de nossos soldados -. – Nós continuaremos a ver se colhemos mais dados com respeito a este assunto para descobrir se alguma coisa foi inapropriada -, acrescentou.

Os militares norte-americanos afirmaram que responderam a tiros que receberam do hotel antes de atirarem e os jornalistas presentes no Hotel Palestina questionaram esta versão. Grupos internacionais de jornalistas pediram que o caso fosse investigado.