Powell acha que Al Qaeda realizou os atentados em Riad

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Publicado terça-feira, 13 de maio de 2003 as 08:42, por: cdb

O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, que chegou nesta terça-feira à Arábia Saudita, disse na Jordânia que os três atentados simultâneos ocorridos em Riad, na véspera, têm a marca da rede Al Qaeda, de Osama bin Laden.

Powell afirmou que até 10 cidadãos norte-americanos podem ter morrido nos atentados, além de outros estrangeiros que viviam nos três condomínios residenciais atacados – Courdoval, Jedawal e Hamra.

Dezenas de moradores também ficaram feridos nas explosões, segundo autoridades sauditas. Os ataques aconteceram às 23h de segunda-feira.

Falando em Amã, a capital da Jordânia, Powell declarou que os ataques têm “todos os sinais” de uma operação de Al Qaeda, e reiterou que são necessários “esforços redobrados” para erradicar o terrorismo.

– Eu acredito que isso é parte da disposição de Al Qaeda e de outras organizações terroristas de matar inocentes para levar adiante uma agenda criminosa. Uma agenda terrorista que, muito freqüentemente, não tem um objetivo, não tem um sentido outro que não atacar com fúria.

O secretário pernoitou em Amã, depois de passar os dois dias anteriores em Israel e na Cisjordânia, como parte de um giro pelo Oriente Médio.

Fontes oficiais em Riad disseram que o filho do vice-prefeito da cidade morreu em uma das explosões.

O embaixador norte-americano na Arábia Saudita, Robert Jordan, declarou que mais de 40 cidadãos dos Estados Unidos ficaram feridos e alguns podem ter morrido, embora acrescentando que não poderia confirmar, de imediato, o número de vítimas.

Ainda de acordo com o diplomata, residiam nos condomínios funcionários de algumas empresas ocidentais ligadas ao setor de Defesa e assessores da Guarda Nacional da Arábia Saudita e de outras unidades militares.

Três funcionários da Boeing Integrated Defense Systems ficaram feridos nos ataques, informou um porta-voz da companhia, Dave Sloan.

A Boeing tem 12 funcionários em Riad, que atuam como instrutores na Força Aérea Saudita, treinando militares para operar aviões AWACS, de vigilância.

Lista de suspeitos

Os atentados ocorreram dias depois de novos alertas do governo dos Estados Unidos sobre possíveis ataques terroristas contra interesses e cidadãos norte-americanos no reino.

Na edição desta terça-feira do jornal Riyadh Daily, o ministro do Interior, príncipe Nayef bin Abdulaziz, declarou: “Infelizmente, as pessoas por trás desse ataque estão na mesma lista de terroristas que o Ministério do Interior divulgou na quarta-feira passada”.

Naquele dia, o governo saudita divulgou uma relação com 19 nomes – incluindo 17 cidadãos sauditas – suspeitos de planejar atentados.

Os suspeitos conseguiram fugir depois de um tiroteio com forças de segurança em Riad, no dia 6 de maio, segundo a Polícia saudita.

Na quinta-feira passada, as autoridades sauditas apreenderam toneladas de explosivos e equipamentos que poderiam ser usados em ataques terroristas.

Autoridades norte-americanas declararam que a casa onde a apreensão foi feita fica a 500 metros de um dos condomínios atacados na noite de segunda-feira.

Os atentados ocorreram menos de duas semanas depois que os Estados Unidos, numa grande mudança política, anunciaram que o Centro de Operações Aéreas Combinadas seria transferido da Arábia Saudita para o vizinho Catar.

Desde a Guerra do Golfo, de 1990-91, os EUA vinham mantendo uma presença militar permanente no reino.

Mas, durante a guerra liderada pelos EUA no Iraque, que teve início na noite de 18 para 19 de março passado, o governo saudita recusou-se a permitir que forças da coalizão atacasse alvos iraquianos com aeronaves baseadas em seu território.