Poupança pode surpreender no final das contas

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Publicado terça-feira, 31 de julho de 2001 as 22:36, por: cdb

Na procura constante de rendimentos maiores, a caderneta de poupança tem virado Cinderela. Mas, como acontece no conto, no final das contas este ano a aplicação vem se dando muito bem e está batendo os rendimentos de vários fundos.

Das qualidades de porto seguro da poupança ninguém duvida – mesmo depois de episódios traumáticos como os confiscos do Plano Collor.

Ali, você deposita seu dinheiro e simplesmente “esquece”, diferente dos fundos de investimento, que, por mais conservadores que possam ser, sempre precisam de acompanhamento.

Mas a caderneta conta com uma grande vantagem desde a largada: as isenções de tributos que pesam no investimento em um fundo.

Essas isenções podem não contar muito em épocas de vacas gordas, mas sua relevância aumenta em momentos de mercados instáveis como os atuais, nos quais muitas aplicações sofrem perdas ou rendimentos menores.

Em um fundo, o investidor paga uma taxa de administração que gira, em média, entre 1,5% e 4%; 20% de Imposto de Renda sobre os lucros no caso de fundos de renda fixa e 10% nos de renda variável; e Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), cobrada duas vezes: uma na conta corrente do cliente, na hora da aplicação, e outra no resgate do investimento.

No caso da poupança, a CPMF é reembolsada depois de 90 dias de aplicação.

“Apesar da quantidade de fundos existentes no mercado, a poupança ainda é um investimento muito procurado pelas pessoas por ser seguro e também muito rentável”, afirma o diretor de Serviços Financeiros da Caixa Econômica Federal (CEF), Luiz Francisco Monteiro de Barros, em relatório.

Segundo um estudo realizado pela CEF analisando 151 fundos com patrimônio líquido de R$128 bilhões, no mês de junho a poupança teve valorização de 0,27%, ante 0,18% dos fundos de investimentos.

A CEF não divulgou os tipos de fundos estudados na pesquisa, apenas que a rentabilidade bruta média mensal aplicada ao patrimônio dos fundos analisados foi de 1,17%.

Os resultados da pesquisa da CEF só representam uma média entre o universo de fundos estudados. Por exemplo: entre os mais de 170 fundos distribuídos pela Patagon, só 12 têm rendimento no ano inferior à poupança. Na média, apresentam alta de 6,43%.

Mas o que essas médias ocultam é o fato de que alguns têm prejuízos, e outros, ganhos significativos, o que torna a poupança – que paga Taxa Referencial mais 0,5% ao mês – uma aplicação mais previsível.

Também, muitos dos chamados fundos “populares” – criados por grandes instituições para o pequeno investidor, com aplicações mínimas pequenas – cobram taxas de administração altas, o que reduz a rentabilidade e, às vezes, produz resultados inferiores ao da poupança.

Até o dia 27 de julho de 2001, a poupança obteve lucro líquido acumulado de 4,65%, comparado a uma média inferior aos 3% para os fundos DI e de renda fixa.