Porto Rico decide se quer se tornar Estado norte-americano

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Publicado terça-feira, 6 de novembro de 2012 as 09:39, por: cdb
Porto Rico é um Estado Livre Associado, um território dos EUA

Os porto-riquenhos vão às urnas nesta terça-feira para decidir se querem que o território se transforme no 51° Estado norte-americano. Porto Rico é um Estado Livre Associado, um território dos EUA, mas vai realizar um referendo com algumas perguntas sobre seu futuro nesta terça-feira.

A primeira é se os eleitores querem manter o atual status da ilha. A segunda é se eles preferem independência, se tornar um Estado americano ou ainda uma opção chamada “associação livre soberana” com os EUA, que daria mais autonomia à ilha. Ao lado das eleições presidenciais desta terça-feira, haverá mais de 100 referendos em diferentes Estados americanos sobre temas diversos como casamento gay e suicídio assistido.

Em um passeio pela capital, San Juan, no entanto, o recém-chegado pode ter a impressão de que esta já é a realidade. Porto Rico parece americano em vários detalhes: dos ônibus escolares amarelos à enorme loja de departamentos Macy’s. Até mesmo o modelo das placas sinalizadoras nas estradas é o mesmo – com a diferença de que, aqui, as instruções estão em espanhol.

A maior parte da população (cerca de 85%) admite não dominar o inglês, o que faz com que o local soe mais hispânico do que americano. A cultura e as tradições do país também o aproximam mais da América Latina.

Economia

Esta será a quarta votação do tipo na ilha nos últimos 45 anos. As outras mantiveram o status de Porto Rico.

Mas, desta vez, a situação econômica na ilha pode ser um fator decisivo. A recessão foi longa e difícil em Porto Rico. No ano passado, o território tinha uma dívida de US$ 68 bilhões, e a taxa de desemprego é de mais de 13%.

Na Plaza de Colón, uma estátua de Cristóvão Colombo fica em frente a um mercado de artesanato.

– Não sei como nós sobreviveríamos – diz Pascal Espinal, um artesão que vende suas obras na praça.

– Um país se sustenta, mas, se nós fossemos independentes, não tenho certeza de como nos sairíamos como nação – diz sua mulher, Maria.

Perto dali, no Castillo de San Cristóbal, um forte do século 16 construído para proteger San Juan, o vermelho, branco e azul das bandeiras dos EUA e de Porto Rico estão ao lado de uma antiga bandeira naval espanhola.

Do lado de dentro, guardas florestais dos EUA recebem os visitantes. O local é patrimônio da humanidade e um símbolo da época em que Porto Rico era colônia, uma situação que, segundo alguns, persiste até hoje.

Acidente

Nos arredores de San Juan, na sede do Partido Independentista Porto-riquenho (PIP), militantes experimentam camisetas antes de um comício.

Fernando Martin, presidente-executivo do partido, diz que o fato de Porto Rico pertencer aos EUA é um acidente da história. Ele acredita que Porto Rico esteja em situação parecida com a da Escócia ou a da Catalunha.

– O que nós temos em comum é que somos nações sem um Estado. A diferença é que eles são parte integral dos países aos quais pertencem, eles não são colônia – afirma.

– No nosso caso, o governo de outro país toma decisões todos os dias sem a participação dos porto-riquenhos. Porto Rico se autogoverna, mas sua autonomia é em nível local.

O poder, incluindo sobre o que vai acontecer após a votação, está em Washington. O referendo não é obrigatório, então, mesmo se a maioria votar pela transformação do território em Estado, a decisão final fica nas mãos do Congresso dos EUA.

Segunda classe

Mas, para muitos, a questão não é se estariam melhor financeiramente; é sobre ser cidadão de segunda classe.

– Esse é mais um problema de direitos humanos do que de economia. Nós, simplesmente, não temos o direito de votar ou ter voz sobre o nosso futuro – diz Carlos Colon de Armas, professor de negócios na Universidade de Porto Rico.

Ele quer cidadania completa porque acredita que é injusto que, para poder votar em uma eleição presidencial, os porto-riquenhos tenham de deixar a ilha e se mudar para os EUA.

A população de Porto Rico é de quase 4 milhões, e há, aproximadamente, 4,7 milhões de hispânicos de descendência porto-riquenha vivendo nos EUA.

O status do território não mudou desde 1952, e o atual governador republicano Luis Fortuño, que tenta reeleição, quer que Porto Rico seja um Estado norte-americano.

Ele tem o apoio de Mitt Romney, que já disse que vai ajudar a defender a causa de Porto Rico caso seja eleito, algo que pode ajudar sua campanha presidencial no Estado-pêndulo da Flórida, para onde cerca de 300 mil porto-riquenhos se mudaram na última década.

Marcos Rodriguez Ema, coordenador de campanha do Partido Novo Progressista, de Fortuño, diz que os dois são bons amigos.

– Estou certo de que ele (Romney) vai querer ajudar o governador Fortuño, se ele ganhar a reeleição, a atingir nosso objetivo – diz.

Uma pesquisa recente indica empate técnico entre o governador Fortuño e seu principal adversário, Alejandro Garcia Padilla, do Partido Popular Democrático, que defende a manutenção da atual relação com os EUA.