Porto de Paranaguá suspende a exportação de soja

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Publicado segunda-feira, 27 de outubro de 2003 as 17:49, por: cdb

O superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, anunciou nesta segunda-feira no Palácio Iguaçu que determinou a suspensão das exportações de toda soja estocada nos silos e armazéns públicos e privados do Porto de Paranaguá. A medida foi adotada como reação a uma denúncia de que há soja “batizada” ou misturada no Corredor de Exportação.
 
– A suspensão deve vigorar por quatro ou cinco dias até que toda soja estocada nos silos do porto seja examinada pela Claspar, Secretaria da Agricultura e Abastecimento e pelos próprios técnicos do porto – avisou Eduardo Requião. A medida foi anunciada durante a solenidade em que o governador Roberto Requião sancionou a lei que proíbe os transgênicos no Paraná.

Segundo Eduardo Requião, atualmente há cerca 62 mil toneladas de soja estocadas no porto. O produto está distribuído no silão público e em outros quatro terminais privados. “Esperamos a compreensão do exportadores, mas a paralisação é necessária para que possamos garantir a averiguação de toda soja estocada no porto, o que vai demandar alguns dias”, explicou

O superintendente do porto informou ainda que uma ampla fiscalização será iniciada nesta terça-feira. Eduardo Requião anunciou também que assinou uma ordem de serviço que obriga, a partir de agora, a apresentação da certificação de qualidade para a liberação de embarque de soja pelo porto.

As certificações são liberadas Claspar. Além disso, o próprio porto já iniciou inspeções nos armazéns e silos interligados ao Corredor de Exportação, para atestar a inexistência de produtos geneticamente modificados. “Não vamos permitir o embarque de soja transgênica”, ressalta Eduardo Requião. “Quem não cumprir o que determinou o Governo do Estado será responsabilizado.”

Pena 
 
Conforme determina a Ordem de Serviço, se constatada qualquer irregularidade na soja movimentada pelos complexos público e privado, a soja deverá ser retirada dos silos e armazéns onde estiver depositada. A pena prevista para quem descumprir a medida poderá variar entre a interdição da instalação e a suspensão das operações do responsável.

O Corredor de Exportação é um complexo composto por um silo vertical (o chamado Silão) e outros quatro silos horizontais com capacidade estática de armazenagem de 160 mil toneladas. Deste total, 100 mil toneladas correspondem ao potencial de armazenagem do Silão, que hoje trabalha com 2 linhas de descarga preparadas para o embarque de três mil toneladas/hora.

“Vamos fechar este ano com novo recorde de movimentação, com um aumento considerável na exportação de soja não transgênica. Não podemos agora comprometer o porto e as exportações paranaenses com a liberação dos transgênicos”, afirma o superintendente, ao lembrar que países como a China já se comprometeram a comprar a soja paranaense por não ser geneticamente modificada.