Por que Lula não vai ao Fórum Anti-Davos?

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Publicado sexta-feira, 10 de janeiro de 2003 as 16:46, por: cdb

Afinal, Lula decidiu seguir o passo de seus antecessores, com o risco de decepcionar os petistas mais radicais, e virá aqui à Suíça para participar do Forum Economico Mundial de Davos.
Os aspectos positivos dessa decisão são fáceis de se entender – Lula, acompanhado de seus ministros, quer reforçar a imagem de um presidente latinoamericano disposto a cumprir seus compromissos, diante da desconfiança inspirada por outros países como Argentina, Venezuela ou Colombia. Quer também se encontrar com os donos do mundo, no caso os dirigentes das multinacionais, para assegurar a manutenção dos investimentos existentes e conseguir outros. Mesmo se cada participante do Forum de Davos custa por volta de 50 mil dólares, a missão parece importante.
Mas existem também os lados negativos, que poderão provocar alguns atritos. O maior risco é o de uma recuperação, pelos espertos empresários e ideólogos do neoliberalismo, da bandeira de Lula. Faz algumas semanas, corriam rumores sobre uma oferta da Monsanto para ajudar a luta contra a fome, em troca da abertura brasileira para os alimentos geneticamente modificados. Ninguém ignora que o Forum de Davos é o oposto do PT e que, ali naquela cidade suíça, germinou e nasceu a globalização. E que Davos vai se realizar sob forte pressão policial e militar para se evitar manifestações, transformando-se num bunker ou numa citadela inexpugnável.
Lula deverá levar uma mensagem do Forum Social de Porto Alegre a Davos, mas correrá o risco de ser apenas mais um presidente de país pobre e endividado entre seus ricos frequentadores. Paradoxalmente, a decisão de Lula coincide com a de dezenas de políticos suíços e europeus de irem a Porto Alegre. Lula teria provocado maior impacto se fosse participar do Forum anti-Davos, na mesmo cidade, com o ex-ministro alemão Oskar Lafontaine.