Poluição faz Santiago declarar pré-emergência

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Publicado segunda-feira, 12 de maio de 2003 as 17:09, por: cdb

Mais de 250 mil veículos deixaram de circular nesta segunda-feira, e 942 indústrias pararam na capital chilena devido à primeira pré-emergência por poluição do ar decretada neste ano na cidade, que tem 5,5 milhões de habitantes.

A péssima qualidade do ar no fim de semana, com índices de poluição superiores a 300 microgramas de partículas nocivas por centímetro cúbico de ar, obrigou as autoridades ambientais a declararem o estado de pré-emergência.

Santiago do Chile amanheceu nesta segunda-feira coberta por uma densa nuvem cinzenta, que afetava especialmente os bairros das regiões oeste e sudoeste da capital, que, por ser rodeada de morros e ter poucos ventos, possui graves problemas de ventilação.

A decretação do estado de pré-emergência ambiental indica que os índices de Qualidade do Ar por Partículas (Icap) ultrapassaram o nível 300, situação considerada “perigosa” pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e que causa um aumento nos casos de doenças respiratórias.

Sergio Cárcamo, chefe de emergências infantis do Hospital Félix Bulnes, disse que o aumento das consultas registrado hoje ainda “não é muito alarmante”.

O subsecretário de Saúde, Antonio Infante, afirmou que todos os serviços estão preparados para enfrentar as doenças respiratórias causadas pela poluição.

Por sua vez, o presidente Ricardo Lagos anunciou nesta segunda-feira a implementação de mais cem salas no sistema de saúde para atender as infecções respiratórias de crianças e adultos afetados pela má qualidade do ar.

O governante, ao visitar um consultório, também anunciou que iniciará no próximo dia 26 de maio a “Operação Inverno”, um plano de contingência destinado a otimizar as respostas às consultas sobre patologias respiratórias ou gripais.

O estado de pré-emergência ambiental implica a paralisação de 60% dos veículos sem conversores não catalíticos e de 20% dos equipados com catalisadores ou com selo verde, além da suspensão de 30% das emissões feitas pelas indústrias, também chamadas de “fontes fixas”.

Também foi recomendada a suspensão total das aulas de educação física e atividades esportivas nas escolas.

A cidade foi catalogada em 1998 como a oitava capital mais poluída do mundo, com um índice médio de 178,9 miligramas de partículas em suspensão por cada centímetro cúbico de ar, segundo um relatório da OMS.

O imenso parque automobilístico da cidade (com mais de 700 mil veículos), sua situação geográfica (rodeada de montanhas e quase sem ventos) e o cordão industrial que a cerca são fatores que contribuem para a elevada poluição.