Política econômica de Temer leva o país uma quebradeira generalizada

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Publicado terça-feira, 25 de julho de 2017 as 13:33, por: cdb

Na análise de auditora fiscal, o aumento da gasolina determinado pela equipe econômica de Temer tem por objetivo elevar os níveis inflacionários, na marra.

 

Por Redação, com RBA – de Brasília

 

Ao promover o aumento da gasolina, via aumento das contribuições PIS e Cofins, o governo admite o fracasso da política monetária. Ou pior do que isso. Na opinião de Maria Lucia Fattorelli, auditora aposentada da Receita Federal e fundadora do movimento Auditoria Cidadã da Dívida, tudo indica que, por trás da medida, esteja a intenção do Banco Central de aumentar a inflação.

— O interesse é turbinar a inflação. Estamos entrando numa deflação por causa da recessão fortíssima, o que é um problema para o Banco Central, que quer continuar pagando os juros abusivos e justificar a taxa de juros alta para controlar a inflação. Essa crise está desmascarando isso. O BC quer um motivo para aumentar a inflação e para isso não tem coisa melhor do que aumentar o combustível, que traz o aumento de tudo em cascata — afirmou, em entrevista à Rede Brasil Atual (RBA).

Iludidos

Temer
“O presidente de facto parece ainda cultuar valores de uma sociedade arcaica, machista e patriarcal, bem aos moldes do Brasil imperial”

Segundo afirmou, uma inflação em queda muito acentuada causa problemas na atualização monetária paralela; que é feita da dívida. O IPCA de junho de 2017 registrou deflação de 0,23%. Foi a primeira, desde junho de 2006. Além da equação inflação-juros, Fattorelli vê no atual quadro “um período de inanição total”; e um círculo vicioso, uma vez que cada empresa falida significa menos tributo a ser arrecadado. Empregados perdem a vaga e deixam de contribuir e de comprar.

Com o aumento nos combustíveis e a formação de um quadro inflacionário, a roda gira ao contrário, causando um número ainda maior de falências e demissões. O quadro já existe e, com as atuais medidas, tendem a se acentuar.

— Quanto mais a economia cai, mais desemprego. O que faz cair o comércio, que por sua vez não demanda a indústria. De onde vai sair o dinheiro? Então, o governo aumenta a gasolina. E o comércio, a indústria, acham que a reforma trabalhista foi boa para eles, que podem diminuir os encargos. Eu quero saber agora quem vai comprar os produtos deles — questiona a economista.

Arrecadação

Torna-se incompreensível, para Fattorelli, que ainda existam empresários “iludidos” com o presidente de facto, Michel Temer.

— Ele está sendo bom só para o setor financeiro, que continua sendo o mais privilegiado do país; como foi em todos os governos anteriores, sem exceção alguma — acrescenta.

Presidente da Comissão Mista de Orçamento durante o governo da presidenta Dilma Rousseff, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) diz que aumento de imposto que recai sobre preço de combustível é “injeção na veia da inflação”. Pimenta lembra que, quando o governo propôs a PEC do teto de gastos, tanto o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, quanto o presidente Michel Temer, assumiram publicamente que a aprovação da PEC dispensaria a necessidade de aumento de impostos.

— Isso for formalizado perante a sociedade. Portanto, aplicaram uma mentira no povo brasileiro e no próprio Congresso. A PEC foi aprovada com esse compromisso — afirmou.

Fiesp

Para o parlamentar, o aumento dos tributos revela que a política econômica baseada no controle de gastos e da redução de investimentos falhou. O governo teve que aumentar impostos porque a arrecadação não se realizou, pois a economia está paralisada, avalia.

— Tudo isso revela a falência dessa política econômica que o golpe tentou implementar — pontua.

Pimenta lembra que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a TV Globo junto com as demais emissoras de TV, alimentaram o discurso do golpe com base em algumas questões como a dos impostos. O que remete às mobilizações de junho de 2013.

Abandono

— Aquelas manifestações contra o aumento de R$ 0,20 do transporte coletivo, as chamadas jornadas de 2013, hoje fica evidenciado que foram patrocinadas. Onde estão os movimentos de rua? Agora não tem o dinheiro que pagou a mobilização, os caminhões, a articulação. Aquilo foi uma mobilização artificial com o objetivo de desestabilizar o governo da Dilma — afirma Pimenta.

Na sexta-feira, o deputado federal Júlio Delgado disse que o aumento tributário sobre os combustíveis, além do contingenciamento de R$ 5,9 bilhões de despesas não obrigatórias do Orçamento, mostra a dificuldade crescente de Temer.

Para ele, a volta do pato à Avenida Paulista demonstra que “pode haver um abandono, agora do setor empresarial, que ainda sustentava Temer”.


Dinheiro queimado

Na tentativa de se manter no poder, após o golpe de Estado de Maio de 2016, o governo de Michel Temer já queimou quase toda a verba de publicidade. Foram mais de R$ 200 milhões contratados, ainda no primeiro semestre do ano. A maior parte desses recursos, cerca de 80% segundo aferição pública, foram destinados aos veículos de comunicação das Organizações Globo. Justamente aquela que passou a pregar, abertamente, o fim do governo Temer e sua substituição por Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados.

A campanha pela reforma da Previdência foi aquela que consumiu mais, cerca de 50% dos recursos. A jornalistas, a Secretaria de Comunicação Social admite que será necessário fazer um pedido de crédito suplementar.

— Tivemos um gasto substancial no primeiro semestre. Mas ainda há recurso e poderemos operar tranquilamente esse ano — diz o secretário Márcio de Freitas, subordinado ao chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Wellington Moreira Franco.