Política de reciclagem em São Paulo é alvo de críticas de catadores

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 23 de setembro de 2011 as 10:22, por: cdb

Política de reciclagem em São Paulo é alvo de críticas de catadores

Ativistas pedem estrutura específica para a função, já que ação da Limpurb é considerada insuficiente para atender exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos

Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual

Publicado em 23/09/2011, 13:08

Última atualização às 13:08

Tweet

São Paulo – A prefeitura de São Paulo dialoga pouco e não oferece sinais de que vai atender às exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em 2010. Catadores de material reciclável e integrantes de ONGs paulistanas apontam limitações na estrutura da gestão do prefeito Gilberto Kassab (ex-DEM, a caminho do PSD) no setor.

A lei 12.305 de 2010 define que o governo federal estabeleça um plano nacional para resíduos sólidos com horizonte de 20 anos e atualização a cada quatro. Cabe a cada município administrar a separação e a destinação adequada ao lixo orgânico e a materiais recicláveis. O conjunto de exigências entra em vigor em 2012.

Técnicos da prefeitura presentes à divulgação de uma pesquisa sobre relações de gênero entre catadores de material reciclável foram cobrados sobre a questão. Eles ouviram críticas duras à falta de diálogo com o movimento de catadores.

A catadora Luzia Honorato, do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis, acredita que é necessário criar uma estrutura própria na prefeitura para tratar de coleta seletiva. Um dos alvos é o Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb) da capital paulista.

“A Limpurb não consegue separar lixo de materiais recicláveis”, critica Luzia. “Alguém precisa assumir o papel de educação ambiental na cidade.”

Maria Lúcia da Silveira da ONG Sempre Viva Organização Feminista (SOF), uma das organizações responsáveis pelo estudo, junto do Instituto Pólis ironiza a conduta da administração municipal. “Ou a prefeitura não faz nada ou não abre o jogo”, suscita. A crítica diz respeito às ações necessárias para adequar a capital paulista às determinações da política nacional de resíduos sólidos.

Por falta de ação da gestão, 80 grupos de catadores estão aguardando para conseguir registro oficial, segundo o movimento. Sem isso, eles ficam privados de acesso à infraestrutura adequada para reciclagem de materiais. “E a Limpurb age como se não fosse assunto dela”, alerta a integrante da SOF.

Ação civil pública movida pelo Instituto Pólis em 2006 resultou na determinação de que a prefeitura passasse a realizar a coleta seletiva a partir de abril deste ano, mas “nada foi realizado até agora”, aponta Luzia.

A estrutura existente na capital paulista para a coleta seletiva tem falhas, conforme mostrou uma série de reportagens da Rede Brasil Atual em julho deste ano. Parte dos postos de entrega de material separado, chamados de Ecopontos, ficam fechados ou não oferecem destinação adequada. A circulação de caminhões também apresenta oscilações.

Leia também:
Difíceis de reciclar, monitores colocam consumidores e catadores em risco Moradora de São Paulo aposta na reciclagem até na decoração da casaTriagem de materiais eletrônicos aumenta renda de catadoresPaulistanos enfrentam dificuldades para encaminhar lixo reciclávelCriação de taxa sobre consumo pode custear a reciclagem de eletrônicosEcopontos funcionam sem estrutura para receber materiais recicláveis em São PauloSão Bernardo do Campo discute projeto de incinerador de lixo doméstico