Policial federal que matou dois colegas faz exames toxicológicos

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 15 de outubro de 2002 as 17:26, por: cdb

O agente federal Cláudio Pedrosa Fontes, de 23 anos, desembarcou no final desta manhã em Manaus e seguiu direto para o Instituto Médico Legal (IML) para ser submetido a exames toxicológicos. Armado com duas pistolas, Fontes rendeu, ontem, cinco colegas na Delegacia de Tabatinga e depois de várias tentativas para se entregar, matou dois dos colegas. Os mortos são Armindo João da Silva, 46 anos, e Guilherme Auad da Silva, de 28, cujos corpos devem ser transportados
par Recife (PE) e Bauru (SP), respectivamente, segundo informou a Su-
perintendência de Polícia Federal em Manaus.
O agente que matou os colegas chegou algemado e escoltado por dois outros agentes e vai ser submetidos a exames no IML para verificar se estava ou não drogado no momento do ataque. A cidade de Tabatinga, onde os agentes serviam, faz parte da rota do tráfico internacional de drogas. A droga mais consumida é cocaína, que pode ser comprada em vários pontos da cidade, segundo foi comprovado em reportagens de jornais nos últimos dois anos.
No próprio aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, o preso foi entre-
gue à Polícia Militar do Amazonas. A transferência do preso de uma
corporação para outra pode sinalizar que o clima de revolta na Polícia
Federal é muito grande.
“O clima interno em Manaus é, no mínimo, de muita tristeza e co-
moção”, destacou o assessor Darlan Alves. Ele disse que ninguém con-
segue entender o ocorrido. “Em toda a história da Polícia Federal,
essa é a primeira vez que registramos coisa do tipo”.
Cláudio Pedrosa Pontes ingressou através de concurso público nos
quadros da Polícia Federal há dez meses, juntamente com uma de suas
vítimas, Guilherme Auad da Silva. Era tida como uma pessoa calma e
exemplar em seu serviço, até a ação de ontem, em que alegou estar se-
guindo “ordens de Deus” para executar os dois colegas.
Esse comportamento possibilitou se chegar a uma das pistas para o
crime – a de que Cláudio Pedrosa estivesse envolvido com grupos reli-
giosos fanáticos. A possibilidade está sendo investigada pelo delegado
federal Sérgio Pontes, designado especialmente para o caso.