Policial da Argentina demitido por corrupção tem dinheiro no Uruguai

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Publicado sexta-feira, 7 de novembro de 2003 as 04:43, por: cdb

Alberto Sobrado, ex-chefe da polícia da província argentina de Buenos Aires e demitido por corrupção, possuía contas bancárias no Uruguai no valor de mais de meio milhão de dólares, informaram na última quinta-feira fontes judiciais.

O procurador Daniel Urriza disse à agência argentina de notícias DyN que as autoridades uruguaias lhe entregaram um ‘completo relatório’, de mais de 200 páginas, sobre giros e transferências bancárias em nome do ex-chefe policial no valor de 542.000 dólares.

Segundo o investigador judicial, o comissário Sobrado utilizou contas no Banco Scotia, de Montevidéu, para fazer transferências de dinheiro e de títulos da dívida externa argentina a entidades bancárias das Bahamas.

O comissário foi demitido em julho e denunciado ante a Justiça penal por enriquecimento ilícito, depois que o semanário ‘Veintitrés’, da capital argentina, revelou que tinha contas bancárias nas Bahamas no valor de 333.549,69 dólares.

O procurador Urriza esteve na última quarta-feira em Montevidéu, para -segundo explicou- ‘seguir uma pista de triangulação bancária” sobre “consideráveis somas de dinheiro obtidas ilegalmente’ pelo ex-chefe da polícia da província de Buenos Aires, a maior força de segurança da Argentina.

O Banco Central do Uruguai enviou, em meados do último mês, um relatório à Procuração Geral da província de Buenos Aires sobre alguns giros e transferências bancárias nesse país em nome de Sobrado.

A polícia da província de Buenos Aires, que ganhou o apelido de ‘maldita’ pelos casos de corrupção e assassinatos que envolvem seus integrantes, conta com mais ou menos 44.000 agentes, dos quais por volta de 4.000 foram afastados de forma provisória de seus cargos nos últimos dois anos acusados de diversos delitos.

O Governo portenho também denunciou ante a Justiça outros quinze oficiais superiores dessa força de segurança por suposto enriquecimento ilícito.

Esses casos são investigados pelo procurador Víctor Violini, que nas duas últimas semanas denunciou ter recebido ameaças de morte mediante cartas e ligações telefônicas.

A polícia da província de Buenos Aires também se viu envolvida na recente polêmica entre vários membros do Governo pela crescente onda delitiva, já que o presidente do país, Néstor Kirchner, assegurou que agentes dessa força integram grupos de seqüestradores.