Policial civil é o principal suspeito de ter atingido estudante

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Publicado sábado, 17 de maio de 2003 as 17:54, por: cdb

Informações divulgadas neste sábado pelo chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, reforçam a suspeita de que o tiro que atingiu a estudante de Enfermagem Luciana Gonçalves de Novaes, de 19 anos, no campus da Universidade Estácio de Sá (no Rio Comprido, zona norte), pode ter partido de um policial civil. Lins afirmou que o inspetor da 16ª Delegacia de Polícia (Barra da Tijuca), Marcos Ripper, tem registrada em seu nome uma pistola calibre 40, idêntico ao da bala que atingiu Luciana, há 13 dias.

“Agora nós precisamos localizar essa arma para fazer o confronto com o projétil que foi retirado da estudante”, afirmou Lins, durante o programa de rádio do secretário de Segurança, Anthony Garotinho. A situação do inspetor se complicou ainda mais porque, de acordo com depoimento prestado hoje por um funcionário da Vigban, empresa responsável pela segurança no campus, foi Ripper quem recebeu as fitas do circuito interno de TV da Estácio da empresa TeleSegurança, que aluga e faz a manutenção das câmeras. Ripper as entregou para a direção da universidade e, depois, para a polícia. Já se sabe que as imagens foram adulteradas.

“Ele (Ripper) manipulou as gravações”, afirmou Lins, para depois voltar atrás e dizer que o policial intermediou as fitas e, por isso, poderia ter adulterado o material antes de repassá-lo. A polícia só recebeu as fitas cinco dias após a estudante ter sido baleada na Estácio de Sá.

Segundo Garotinho, são fortes os indícios de que inspetor está envolvido no episódio. “A polícia trabalha fortemente com a idéia que ele pode estar envolvido nessa situação. Não que tenha feito o disparo, mas que ele saiba quem fez o disparo e o esteja protegendo”. Ainda que a investigação indique que o tiro não foi dado por Ripper, ele vai responder a processo disciplinar por ter mentido no primeiro depoimento prestado à policia.

No depoimento, o inspetor negou trabalhar como segurança do campus da Estácio e afirmou que era apenas um consultor. “Ele mentiu ao dizer que não prestava segurança. Tenho convicção de que ele fazia esse trabalho”, afirmou Lins. Ainda segundo o chefe de Polícia Civil, a identificação de quem atirou na universitária vai depender da qualidade da recuperação das imagens adulteradas. O Instituto de Criminalista Carlos Éboli pediu prazo até terça-feira para conclusão do trabalho. “Eles estão aplicando três programas simultâneos. A imagem que eles recuperam não é completa”, explicou Lins.