Policiais negam ter xingado e algemado juiz no Rio durante o carnaval

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Publicado terça-feira, 19 de fevereiro de 2008 as 21:38, por: cdb

A Justiça Federal colheu na tarde desta terça-feira os depoimentos dos três  policiais da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), tropa de elite da Polícia Civil, acusados da prisão do juiz federal Roberto Schuman de Paula, durante o carnaval. Cristiano Carvalho Veiga de Mouta, Marcelo Costa de Jesus e Bernadilson Ferreira de Castro respondem pelos crimes de abuso de autoridade, violência arbitrária e desacato.

Durante a audiência, eles negaram a acusação de ter xingado o juiz e afirmaram que ele apenas se identificou como magistrado na porta da Delegacia. Alegaram que o juiz foi algemado porque estaria alterado e também teria oferecido resistência passiva à prisão. Mas não conseguiram explicar como ele poderia se identificar, durante o trajeto até a delegacia, já que a carteira com os documentos dele fora apreendida. E nem esclareceram como o preso usou o celular na viatura, o que não é o procedimento legal.

O advogado dos policiais, Rodrigo Rocca, estranhou a velocidade do trâmite do processo.

— Normalmente demora de três meses a um ano para haver uma decisão no primeiro grau de jurisdição. No mesmo mês, já estamos no dia do interrogatório. Acredito que a próxima audiência, para a oitiva das testemunhas arroladas pela acusação, esteja para acontecer. Não me espantaria se ela fosse marcada para amanhã —, disse.

Para Rodrigo Rocca, “se houve ou não excessos, esses pormenores já foram ultrapassados – o processo hoje trata de questões quase que institucionais entre a magistratura e a polícia, o que no meu sentir é uma disputa de forças que foi deflagrada pelo Ministério Público”.

Ele informou ainda que acusações de desacato só são de competência do foro federal quando realizadas contra bens e serviços da União ou contra policiais federais em serviço.

— Este não foi o caso —, afirmou.

Na segunda-feira de carnaval, o juiz atravessava a Avenida República da Paraguai, no centro da cidade, quando foi abordado pelos policiais. Ele alega que foi desacatado, algemado e não pôde se identificar. O juiz Marcelo Granado, responsável pelo processo, entendeu que houve disparidade entre o fato e a atuação policial.