Polícia prende suspeito de assassinar juiz no Espírito Santo

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Publicado terça-feira, 25 de março de 2003 as 14:22, por: cdb

A Polícia do Espírito Santo já presume a identidade de quem matou a tiros o juiz Alexandre Martins de Castro Filho – o segundo magistrado brasileiro a ser morto em 10 dias. Desde o crime, ocorrido na manhã de segunda-feira em Vila Velha, região metropolitana da capital capixaba, policiais civis detiveram pelo menos 10 pessoas.

Um dos presos confessou o crime nesta terça-feira, mas negou ter executado Martins de Castro devido a seu engajamento no combate ao crime organizado, alegando que o juiz foi, na verdade, vítima de uma tentativa de assalto. A versão, no entanto, não foi completamente aceita pelas autoridades policiais.

Entre os suspeitos presos estão dois sargentos da Polícia Militar, que teriam dado cobertura ao autor dos disparos. Junto com um dos policiais, os investigadores apreenderam a moto que teria sido usada pelos criminosos para cercar o juiz.

Martins de Castro, de 32 anos, recebeu três tiros, sendo baleado no braço, no tórax e na cabeça, em frente à academia de ginástica que costumava freqüentar.

O juiz da Vara de Execuções Penais, que integrava o Grupo de Repressão ao Crime Organizado, participava de uma missão especial em conjunto com a Polícia Federal e vinha recebendo ameaças de morte.

O corpo de Martins de Castro será sepultado nesta terça-feira no Cemitério de Inhaúma, no Rio de Janeiro.

O caixão com o corpo do juiz chegou pela manhã à cidade e foi levado em cortejo, por um carro do Corpo de Bombeiros, desde o Aeroporto Santos Dumont até o cemitério.

O pai do magistrado, Alexandre Martins de Castro, lembrou que o filho, na última conversa em que tiveram, prometeu que nenhuma ameaça iria intimidar os juízes.

“Este é mais um crime covarde e a justiça não vai se calar”, afirmou o pai de Martins de Castro, ao receber o corpo.

Na noite de 14 de março, o juiz Antonio José Machado Dias foi morto em circunstâncias similares na cidade de Presidente Prudente, no interior do estado de São Paulo, onde tinha sete presídios sob sua responsabilidade.