Polícia planeja reconstituir morte de executivo

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Publicado domingo, 7 de dezembro de 2003 as 18:05, por: cdb

A polícia do Rio de Janeiro disse neste domingo que pretende fazer a reconstituição do misterioso assassinato do executivo da Shell Todd Staheli e de sua mulher com a ajuda dos dois filhos mais velhos do casal.

Na madrugada do último domingo, o diretor para Gás e Energia da Shell e sua mulher, Michelle Staheli, foram golpeados na cabeça por um objeto cortante ainda não identificado pela polícia. O crime ocorreu quando eles dormiam em sua casa, em um condomínio fechado na Barra da Tijuca, bairro nobre do Rio.

Staheli morreu pouco antes de os médicos chegarem e Michelle foi levada para o hospital Copa D’Or, onde ficou em coma profundo até morrer, na manhã da última quinta-feira. O casal estava no Brasil com seus quatro filhos há menos de quatro meses.

“Na quarta-feira queremos reconstituir o crime com a ajuda dos dois filhos mais velhos”, disse Renato Homem, porta-voz da polícia civil. “Ainda estamos longe de solucionar o caso. É bastante complicado”, acrescentou.

O advogado da família Staheli havia se oposto à participação das crianças -cujos nomes são mantidos em sigilo pela polícia – na reconstituição, argumentando que eles já haviam prestado depoimento a um juiz na sexta-feira.

No domingo, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, disse a repórteres que a ajuda das crianças era fundamental e que cuidados seriam tomados para evitar traumas desnecessários.

O casal Staheli foi encontrado agonizando e coberto de sangue na manhã de domingo pelo filho de dez anos, que chamou a irmã, de 13 anos. A polícia, que não encontrou sinais de arrombamento na casa, acredita que o casal tenha sido atacado por uma machadinha.

Um exame forense encontrou traços de sangue no quarto da menina, mas, segundo ela, os vestígios foram levados por sua irmã de três anos, a qual ela tirou da cama de seus pais. “A menina é uma testemunha, uma importante testemunha, mas apenas uma testemunha”, disse o porta-voz da polícia.

Contraprova

A polícia vai fazer a contraprova de todos os exames técnicos realizados na casa da família Staheli. A determinação foi anunciada hoje por Garotinho na saída do culto dominical na Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, em Laranjeiras. Garotinho determinou também que a machadinha seja desmontada para verificar se há vestígios de sangue nas partes que entrelaçam o objeto.

De acordo com Garotinho, “o luminol – substância usada para detectar vestígios químicos, inclusive de sangue em qualquer objeto – normalmente não falha, mas pode ser que tenha sido utilizado algum detergente que iniba a sua reação. O aconselhável é fazer um outro teste em toda a casa”, disse.

Ele ressaltou que a reconstituição com a presença dos filhos do casal é fundamental para o esclarecimento do crime. “Não é para transtorná-los ou para criar neles algum tipo de trauma, mas para esclarecer o fato que é cercado de tanta dificuldade, de tanto mistério. Ninguém consegue, sem o depoimento das pessoas que estavam na casa, chegar a uma situação conclusiva”, disse Garotinho.