Polícia Federal desmantela quadrilha de traficantes internacionais no sul do Brasil

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Publicado quinta-feira, 18 de abril de 2002 as 17:15, por: cdb

As Polícias brasileira e australiana desmantelaram uma quadrilha internacional, que traficava cocaína a partir de Porto Alegre com destino a Austrália. As prisões ocorreram na manhã de quarta-feira no Brasil. A operação aconteceu também na Indonésia, onde foi feita uma outra detenção depois de investigações que duraram quatro anos e realizadas por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal.

Foram apreendidos mais de US$ 1 milhão de dólares em cocaína e sete pessoas foram detidas em território australiano, nas cidades de Brisbane, Byron Bay e Sydney. Outras três foram presas em Porto Alegre, no Brasil, e uma, na Indonésia. Os policiais chamaram o trabalho de Operação Natant e foi acompanhada por um adido do Australian Federal Policement e comandada, em Porto Alegre, pelo delegado federal Leandro Daiello Coimbra. A cadela farejadora Sony ajudou os policiais a identificarem a cocaína apreendida.

Com mandados de busca e de prisão expedidos pela Justiça Federal, os federais brasileiros agiram ao mesmo tempo em três endereços da capital gaúcha, um dos quais na Avenida Paraná, a cerca de três quadras do prédio da Superintendência da Polícia Federal, no bairro São Geraldo. Os policiais prenderam Vera Regina Martinelli, José Francisco Lopes da Silva e Ronaldo José Morch Filho, apontado como um dos cabeças da quadrilha. Morch é sócio em um restaurante, usado como fachada para o tráfico, segundo a Polícia Federal.

Das sete pessoas capturadas na Austrália, um era o gaúcho radicado Francisco Mariano Haensel, que usava o nome falso de Francis Burns. Haensel seria o responsável por receber a droga naquele país e distribuí-la. Também foi capturado o australiano Ronald Keith Isherwood, tido como o financiador de toda a conexão.

Todo o trabalho de investigação foi filmado e fotografado, inclusive na Austrália. A partir da droga apreendida, que apresentava uma logomarca idêntica em todos os pacotes, os federais tentarão identificar o laboratório de refino.

Camuflagem inédita
A quadrilha inovou no modo de camuflar a cocaína traficada e na escolha do destino. Ao chegar a Porto Alegre, a droga foi escondida no compartimento destinado às baterias de dois equipamentos no-break (estabilizador de corrente elétrica). Com a droga camuflada, a quadrilha agia como normalmente fazem os exportadores brasileiros, encaminhando encomendas para uma empresa despachante aduaneira especializada em trânsito internacional de mercadorias.

Por duas vezes, a quadrilha despachou, por avião, a cocaína oculta em no-breaks até a cidade de Denpasar, na Indonésia. O país asiático é tido como de frágil fiscalização alfandegária e, por isso, considerado um excelente entreposto para conexões criminosas. Em Denpasar, a quadrilha modificava a camuflagem da droga e o meio de transporte da cocaína traficada. Um homem preso em território indonésio, deportado para a Austrália, foi o responsável pelo trabalho artesanal em estátuas de cimento com interior oco: recheado de cocaína.

Para cada grama de cocaína traficada do Brasil para a Oceania, a quadrilha recebia 60 dólares (cerca de R$ 124), valor confirmado pela Polícia Federal. A supervalorização da droga no mercado australiano faria do negócio criminoso um dos mais rentáveis já descobertos.