Polícia Federal cumpre 18 mandados em São Paulo

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Publicado segunda-feira, 4 de julho de 2016 as 11:53, por: cdb

A Operação Abismo investiga desvios em licitações para a reforma do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello, da Petrobrás,(Cenpes), no Rio

Por Redação, com ABr – de São Paulo:

 

A Operação Abismo, a 31ª fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), cumpriu nesta segunda-feia, em São Paulo, 18 mandados de busca e apreensão, entre os quais, quatro de prisão. Um deles foi de prisão preventiva contra o ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, que já está preso na sede da superintendência da PF desde o dia 23 do mês passado, em decorrência da Operação Custo Brasil. Ele permanece na carceragem da PF e não há previsão de ser encaminhado para outro local.

A Operação Abismo, a 31ª fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), cumpriu nesta segunda-feia, em São Paulo, 18 mandados de busca e apreensão
A Operação Abismo, a 31ª fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), cumpriu nesta segunda-feia, em São Paulo, 18 mandados de busca e apreensão

As outras três prisões são temporárias. Também já está na PF, o presidente da Construcap, Roberto Ribeiro Capobianco, que será levado para Curitiba. Não foram encontrados Génesio Schiavinatto Júnior e Erasto Messias da Silva Júnior.

Segundo o procurador da República Julio Carlos Motta Noronha, em entrevista à imprensa nesta segunda-feira, em Curitiba, o Consórcio Novo Cenpes pagou R$ 39 milhões em propina para conseguir um contrato na Petrobras entre 2007 e 2012.

O procurador disse que o grupo de empreiteiras formou um cartel e acertou o preço da licitação, mas a WTorre decidiu participar da disputa, oferecendo um valor menor pela obra. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), R$ 18 milhões foram pagos para que a WTorre desistisse da licitação.

– Uma empresa recebe R$ 18 milhões para não fazer absolutamente nada – afirma Roberson Henrique Pozzobon, procurador do MPF.

A Operação Abismo investiga desvios em licitações para a reforma do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello, da Petrobrás,(Cenpes), no Rio de Janeiro, onde são feitos estudos sobre exploração em águas profundas. O Cenpes foi criado há 40 anos e recentemente passou por ampliação para atender demandas de exploração do pré-sal. A reforma já havia sido citada em delações premiadas anteriores como fonte de desvios de recursos públicos para partidos.

De acordo com o MPF, Alexandre Romano, que é ex-vereador da cidade de Americana pelo PT, confessou ter repassado mais de R$ 1 milhão do Consórcio Nova Cenpes para Ferreira, por meio de contratos falsos.Foram usadas para os repasses, contas da escola de samba Sociedade Recreativa e Beneficiente do Estado Maior da Restinga, do Rio Grande do Sul, o blog do advogado Júlio Garcia, entre outras.

No despacho em que o juiz Sergio Moro autoriza a prisão preventiva de Ferreira, consta que o blog do advogado Júlio Garcia, na qual há publicações favoráveis a Paulo Ferreira, recebeu R$ 6 mil por meio de cheque nominal. Outros R$ 45 mil foram pagos à escola de samba Estado Maior da Restinga, também por meio de cheques.

Ferreira foi candidato a deputado federal pelo Rio Grande do Sul nas eleições de 2014, mas não conseguiu se eleger. Durante a campanha, ele recebeu da direção nacional do PT um repasse de R$ 266 mil proveniente de doação da Carioca Engenharia, empreiteira cujos diretores Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior delataram o cartel nas obras do Cenpes. Outros R$ 95 mil foram recebidos da Andrade Gutierrez.

Operação Boca Livre

Apenas três dos 14 presos durante a Operação Boca Livre, deflagrada na semana passada, permanecem sob custódia. Segundo a Polícia Federal, os acusados tiveram as prisões provisórias convertidas em prisões preventivas, enquanto os demais foram liberados com o esgotamento do tempo de detenção. O processo tramita sob segredo judicial na 3ª Vara Federal Criminal em São Paulo.

A Boca Livre apura um esquema que, de acordo com as investigações, desviou R$ 180 milhões com fraudes na  Lei Rouanet, desde 2001. A ação investiga mais de dez empresas patrocinadoras que trabalharam com o grupo. Estima-se que mais de 250 projetos tiveram recursos desviados. As empresas recebiam os valores captados com a lei e ainda faturavam com a dedução fiscal do Imposto de Renda.

A organização apresentava projetos ao Ministério da Cultura e à Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo para a aprovação e utilização de verbas de incentivo fiscal previstas na Lei Rouanet. As investigações mostram que os recursos foram usados para custear eventos corporativos, shows com artistas famosos em festas privadas para grandes empresas, livros institucionais e até mesmo festa de casamento, segundo o Ministério da Transparência.