Polícia Federal captura hackers que roubaram R$ 100 milhões via Web

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Publicado quinta-feira, 8 de novembro de 2001 as 01:19, por: cdb

A Polícia Federal prendeu 17 pessoas acusadas de pertencer a uma quadrilha de hackers que utilizou a Internet para roubar um total em torno de R$ 100 milhões (segundo um levantamento preliminar feito pelo órgão) nas cidades de Paraoapebas, Marabá, Belém (Pará) e Goiânia (Goiás). Segundo a assessoria da PF, a operação batizada como “Cash-Net” mobilizou mais de 70 agentes, entre integrantes da PF e policiais do Pará, Distrito Federal e outras regiões, comandados pela Coordenação-Geral de Polícia em Brasília, onde foram apreendidos também cinco veículos e uma espingarda, além de computadores e do software necessário para a invasão das contas bancárias de suas vítimas.

De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Federal, o grupo utilizou a Internet para roubar senhas de clientes de bancos e realizar transferências para “contas-fantasma” e de “laranjas”. Entre as instituições mais atingidas pelo golpe estão o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.

Segundo o delegado da Polícia Federal em Marabá, Rafael de Oliveira, a quadrilha que utilizou a Internet para roubar as contas de diversos clientes de bancos oficiais e privados vinha operando de forma clandestina há bastante tempo e em vários Estados. Como resultado da operação “Cash-Net”, os policiais já prenderam Ataide Evangelista, que teria montado o sofisticado esquema de atuação da quadrilha. Dessa forma, toda a ação acontecia a partir do uso de um software que permite o rastreamento dos dados cadastrais dos clientes que utilizam a Internet para as suas transações financeiras nos bancos. Além de Ataíde Evangelista, a PF prendeu também Flávio Florência da Silva – que já tem passagem pela polícia por crimes desse gênero – no município paraense de Paraoapebas.

O software apreendido permitia à quadrilha obter as senhas, números de contas e as agências bancárias dos clientes. A partir daí era fácil invadir as contas bancárias para retirar o dinheiro das vítimas, mas o que chamou a atenção da Polícia Federal foi a agilidade desse sistema, porque possibilitava que a quadrilha elaborasse listagens de clientes suscetíveis à invasão de sua privacidade online ou por intermédio da clonagem de cartões de crédito.

O delegado Rafael Oliveira, no entanto, não confirmou a estimativa de que a quadrilha teria roubado uma soma em torno deR$ 100 milhões das contas de internautas e de caixas eletrônicos após o uso de cartões magnéticos clonados. Ele revelou que esse assunto ainda está sendo discutido com os bancos, apesar de acreditar que a quadrilha conseguiu obter uma grande soma de dinheiro de vários clientes de bancos já que vinham operando clandestinamente há cerca de dois anos.