Polícia expulsa partidários de Zelaya de edifícios públicos

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Publicado quarta-feira, 30 de setembro de 2009 as 13:08, por: cdb

A polícia hondurenha começou na quarta-feira a expulsar partidários do presidente deposto Manuel Zelaya de edifícios governamentais que estavam ocupando havia três meses para protestar contra sua derrubada num golpe militar.

Zelaya, que antagonizou políticos e empresários conservadores em função de suas ligações com o governo da Venezuela, foi deposto pelo Exército em junho. Ele voltou ao país escondido e há uma semana se refugiou na embaixada do Brasil.

A repressão começou depois que o líder de facto Roberto Micheletti lançou um decreto suspendendo as liberdades civis, fechou duas estações de mídia leais a Zelaya e avisou o Brasil que o país tem dez dias para entregar Zelaya às autoridades ou lhe conceder asilo político.

Policiais da tropa de choque cercaram o Instituto Agrário Nacional em Tegucigalpa na manhã da quarta-feira e retiraram 57 partidários de Zelaya do prédio de dois andares, onde trabalhadores agrícolas vinham realizando protestos desde o golpe militar de junho.

– Isto faz parte do decreto: a retirada de manifestantes das repartições públicas – disse um porta-voz da polícia hondurenha, Orlin Cerrato.

– Estamos revistando outras instituições que foram tomadas – disse.

Um repórter da Reuters no local viu a polícia conduzindo cerca de dez pessoas para fora do prédio.

Soldados depuseram Zelaya sob a mira de armas em 28 de junho e o enviaram para fora do país, depois de a Suprema Corte ter ordenado sua prisão. Seus críticos disseram que ele infringiu as leis ao defender reformas constitucionais que, segundo eles, teriam suspendido os limites ao mandato presidencial. Zelaya nega que quisesse se perpetuar no poder.

O governo de facto enfrenta pressões crescentes da comunidade internacional e até de alguns partidários locais para que restaure as liberdades civis e negocie o fim da crise desencadeada quando Zelaya foi afastado e que já dura três meses.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse a Micheletti na terça-feira que deve revogar as restrições e parar de ameaçar a embaixada brasileira.

O Brasil rejeita o prazo dado por Micheletti e quer mais pressão internacional para obrigar a uma solução. Os Estados Unidos exigiram que Honduras revogue as medidas de emergência, mas também criticou o retorno de Zelaya sem um acordo prévio.

Os dois lados estão num impasse em relação a como resolver a crise. Zelaya insiste que deve voltar ao poder, mas Micheletti diz que o presidente deposto deve ser processado por traição e insiste na realização de eleições em novembro.