Polícia desocupa acampamento de imigrantes na França

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Publicado terça-feira, 22 de setembro de 2009 as 08:57, por: cdb

Centenas de policiais franceses desocuparam na terça-feira um acampamento improvisado, apelidado de “selva”, onde imigrantes ilegais, a maioria afegãos, aguardavam na localidade de Calais uma oportunidade de cruzar o canal da Mancha em direção à Grã-Bretanha.

Dezenas de integrantes de organizações humanitárias tentaram formar uma barreira humana diante dos imigrantes, cerca de metade dos quais menores de idade, mas a polícia cercou o local e deteve 278 pessoas, que foram levadas em ônibus.

“A selva é nossa”, diziam cartazes feitos pelos imigrantes. Muitos estrangeiros choravam ao serem levados. Escavadeiras posteriormente destruíram o acampamento.

– Esta é a imagem violenta da França que eles querem passar. É triste, e é uma desgraça – disse Vincent Lenoir, membro da entidade humanitária Salam.

Os imigrantes serão acompanhados de volta para os seus países ou poderão solicitar asilo. Quem não aceitar deixar a França voluntariamente será expulso.

O ministro da Imigração francês, Eric Besson, defendeu a operação, que foi anunciada na semana passada e havia sido duramente criticada por grupos humanitários.

– Esta operação não está voltada contra os migrantes em si. Está voltada contra a infraestrutura logística e as redes mafiosas de traficantes de pessoas que vendem a viagem à Inglaterra a um preço altíssimo – disse o ministro numa entrevista coletiva.

Besson afirmou que a “selva” havia se tornado “um depósito a céu aberto” onde os imigrantes eram explorados brutalmente por criminosos, em condições anti-higiênicas e inseguras.

Mas oponentes disseram que a operação é um medida cosmética, que de nada servirá para dissuadir milhares de imigrantes ilegais de países miseráveis da África e Ásia, que tentam cruzar as fronteiras europeias todos os anos.

A “selva” surgiu depois que a França fechou um grande acampamento da Cruz Vermelha na vizinha Sangatte, em 2002, sob pressão da Grã-Bretanha, que via o local como um ímã para a imigração clandestina.

Besson admitiu que os países europeus precisam melhorar a coordenação dos controles migratórios, e disse que a França propôs a criação de uma polícia fronteiriça de âmbito europeu para coibir o trânsito ilegal de pessoas.