Polícia acredita que dois mataram diretor da Shell

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Publicado terça-feira, 2 de dezembro de 2003 as 09:22, por: cdb

Pelo menos duas pessoas teriam invadido a casa e assassinado o diretor da Shell, Todd Staheli, de 39 anos, neste domingo, em um condomínio de luxo na Barra Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Nesta segunda-feira, soldados do Corpo de Bombeiros mergulharam na lagoa da Tijuca em busca da arma do crime, mas nada foi encontrado. A lagoa pode ter sido a rota de entrada e de saída dos criminosos.

A polícia acredita que está lidando com uma dupla de profissionais, já que nada foi roubado da casa (o crime de latrocínio, roubo seguido de morte, está descartado), a arma do crime está desaparecida, e os homens não fizeram barulho para não acordar os quatro filhos do casal.

Todd Staheli foi encontrado com vida pela filha de 13 anos com profundos ferimentos na cabeça e no rosto, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. A mulher dele, Michelle Todd Staheli, 34 anos, sofreu os mesmos tipos de ferimentos e está internada em estado grave no Hospital Copa D´Or.

Ontem, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, disse que o depoimento da filha mais velha do norte-americano ofereceu uma das principais pistas da investigação. Ela teria dito, em depoimento não assinado, que o pai recebera um telefonema ameaçador “alguns dias antes” do assassinato. O executivo havia brigado por telefone com alguém da Inglaterra, sobre trabalho. A Shell declarou que não foi informada sobre nenhuma pressão sofrida pelo executivo.

O secretário disse que o trabalho realizado pelos peritos na casa do executivo e no quarto onde o corpo foi encontrado não constatou qualquer anormalidade. Ele acrescentou que o equipamento de segurança do condomínio não registrou nada suspeito, que não havia sinais de arrombamento na casa e que não foram encontrados vestígios de sangue nem impressões digitais no local. “Nenhuma linha (de investigação) foi descartada, a não ser latrocínio”, resumiu Garotinho.

Nos próximos dias, a Justiça deve decretar quebra de sigilio telefônico do executivo para ampliar as investigações. O motorista e a empregada da filha, que já prestaram depoimento, disseram que não trabalharam no domingo, dia em que ocorreu o crime. A perícia fez um exame toxicológico no corpo de Staheli. O resultado será divulgado em 15 dias.

Diretor para Gás e Energia da Shell, Staheli, 39, estava no Brasil há pouco mais de três meses com a família. Ele trabalhou antes na unidade ucraniana da empresa e foi vice-diretor de joint-ventures em energia e gás natural no Cone Sul.