PMs espancam professores e nenhum deles é indiciado

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Publicado quinta-feira, 30 de junho de 2016 as 14:26, por: cdb

O magistrado argumentou que o sindicato não cumpriu a ordem de manter 70% do total dos servidores em cada escola e, por isso, o governo pode cortar o ponto dos professores em greve

Por Redação, com agências de notícias – do Rio de Janeiro:

 

A Polícia Militar entrou em confronto com manifestantes durante um protesto de professores da rede estadual do Rio de Janeiro no final da tarde de quarta-feira. Nenhum dos PMs envolvidos na ação, que deixou vários professores feridos, foi sequer indiciado.

Nesta quinta-feira, foi marcada uma reunião na Alerj entre representantes do Sepe e o governo, representado pelo secretário de Educação, Wagner Victer, e o líder do governo. No encontro, foram discutidas as reivindicações da categoria, com  ênfase na pauta pedagógica, para tentar um consenso para o término da greve.

De acordo com a diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Dorotéa Santana Frota, houve enfrentamento e os militares jogaram gás de pimenta para dispersar a multidão
De acordo com a diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Dorotéa Santana Frota, houve enfrentamento e os militares jogaram gás de pimenta para dispersar a multidão

Greve

Os professores da rede estadual de educação decidiram na quarta-feira em assembleia continuar com a paralisação iniciada no dia 2 de março e que na semana que vem completa dois meses. A categoria esteve reunida na quadra da Escola de Samba São Clemente, na Cidade Nova, com a presença de quase 2 mil profissionais de educação, que, por unanimidade, decidiram prosseguir com a greve.

De acordo com a diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Dorotéa Santana Frota, houve enfrentamento e os militares jogaram gás de pimenta para dispersar a multidão. A diretora do Sepe informou que cerca de 30 professores e estudantes acabaram atingidos sem gravidade por golpes de cassetete e tiveram de ser levados para o Hospital Municipal Souza Aguiar, onde foram medicadas.

Após o incidente, os profissionais de educação rumaram para a Assembleia Legislativa (Alerj), onde um grupo conseguiu ser recebido pelo líder do governo, deputado Edson Albertassi, a pedido do governador em exercício Francisco Dornelles, para abrir um canal de negociação com os professores.

Corte do ponto

No dia 14, a Justiça decidiu revogar a liminar que impedia o corte do ponto dos professores grevistas no Rio de Janeiro. A decisão foi tomada um dia após o TJRJ considerar a greve abusiva.

De acordo com o tribunal, a suspensão da liminar foi determinada pelo desembargador Milton Fernandes de Souza. O magistrado argumentou que o sindicato não cumpriu a ordem de manter 70% do total dos servidores em cada escola e, por isso, o governo pode cortar o ponto dos professores em greve.

No dia 13 deste mês, o presidente do TJRJ, desembargador Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, declarou a greve abusiva e decidiu dobrar a multa ao sindicato caso não seja garantido o mínimo de 70% dos professores nas escolas.