PMDB exige definição de ministério em janeiro

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Publicado terça-feira, 30 de dezembro de 2003 as 20:34, por: cdb

O PMDB marcou data para o anúncio do novo ministério, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não firmou compromisso com o partido de indicar seus dois ministros no dia 6 de janeiro.

– Nós decidimos estabelecer um prazo para não virar o ano na indefinição. Esta situação indefinida não pode se arrastar – resume um importante dirigente do partido.

Embora não tenha havido uma conversa definitiva entre o PMDB e o Palácio do Planalto sobre a data da reforma ministerial, a expectativa geral é positiva. “Seguramente haverá um ajuste na equipe em janeiro, com o ingresso do PMDB no governo. Esta é uma decisão do presidente Lula”, aposta o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP).

Mas ele mesmo acaba confirmando que, data marcada para a entrada do PMDB no Planalto, não há. “Tudo deve acontecer do dia 6 em diante”, prevê.

A aposta otimista da cúpula do PMDB sustenta-se hoje nos interesses do próprio governo. Nos bastidores do partido, a avaliação é que a novela dos ministérios do PMDB já se alongou demais e, o mais importante, prolongá-la é inconveniente para o Planalto. “Ter um PMDB tensionado pela indefinição durante a convocação extraordinário do Congresso não vale a pena”, dizem os dirigentes do partido.

Entretanto, mesmo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indique os ministros peemedebistas em meados de janeiro, ninguém espera que a definição pacifique o partido. Bem ao contrário, a avaliação geral é de que o governo terá mesmo de administrar as disputas internas entre peemedebistas, ainda que venha a ofertar ao aliado o Ministério das Comunicações e o das Cidades, como gostaria a cúpula partidária.

A confusão maior é no Senado, onde uma dezena de senadores engrossa a lista dos “ministeriáveis” do PMDB. A fartura de candidatos é tamanha, que a bancada encerrou o ano com o acerto de que a melhor solução seria elaborar uma lista de nomes a ser encaminhada a Lula.

– Mas não sei se isto vai persistir até o momento da escolha, até porque nem o ministro Dirceu nem o presidente pediram lista a ninguém – conta um senador que acompanha as negociações.

Entre os 22 senadores do PMDB, os mais cotados para assumir um ministério são Garibaldi Alves (RN), Romero Jucá (RR), Hélio Costa (MG) e Sérgio Cabral Filho (RJ). Na Câmara, o líder Eunício Oliveira (CE) está sozinho na corrida pelo ministério peemedebista, mas nem por isso o cenário exclui disputas. Neste caso, a briga será em torno da cadeira que ele deixará vaga. O preferido do líder para sucedê-lo é seu primeiro-vice, o deputado José Borba (PR), mas outro paranaense – Osmar Serraglio – também se insinua como candidato. E a disputa não vai parar aí. “Estou achando tudo muito desanimado e também penso em concorrer à liderança”, avisa o maranhense Gastão Vieira, com o trunfo de uma passagem bem sucedida pela presidência da comissão de Educação e Cultura.