PMDB e PT disputam a vaga em ministério

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Publicado quarta-feira, 23 de maio de 2007 as 11:44, por: cdb

O PMDB quer manter o controle sobre o Ministério de Minas e Energia depois que Silas Rondeau cedeu a pressão e entregou o cargo às 20h15 de terça-feira.

Afilhado político dos senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL), Rondeau pediu demissão depois de ter seu nome envolvido no esquema da Máfia das Licitações, que fraudava contratos para fazer obras públicas.

Como é considerado um dos ministérios mais estratégicos do governo – lida diretamente com os recursos energéticos -, o PMDB indicou dois nomes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar o cargo, ao saber que o PT tem interesse de presidir a pasta.

Entre os cotados estão José Antonio Muniz Lopes e Astrogildo Quental, ambos ex-diretores da Eletrobrás.

Enquanto o presidente Lula não definir o substituto definitivo de Rondeau, a pasta será ocupada interinamente pelo secretário-executivo da pasta, Nelson Hubner.De perfil técnico, Hubner deve permanecer na pasta somente até a indicação de um substituto para o lugar.

Na carta demissionária entregue a Lula, Rondeau diz que deixa o cargo para se defender das “descabidas e injustas inverdades”. “A injustiça que recaiu sobre a minha pessoa leva-me a solicitar a vossa excelência minha exoneração, a fim de melhor proteger minha pessoa, minha família, minha honra, minha história e permitir ao governo que siga com todas as energias voltadas para o crescimento do país”, afirma o texto.

Acusações

Rondeau era apontado como beneficiário do suposta esquema de fraude das licitações para realização de obras públicas, na qual teria recebido R$ 100 mil.

O esquema começou a respingar em Rondeau quando a PF prendeu durante a Operação Navalha Ivo Almeida Costa. Ele era assessor especial do gabinete do ministro.

A PF recolheu fitas gravadas por câmeras do serviço de segurança do Ministério de Minas e Energia. As imagens mostram uma funcionária da Gautama, Fátima Palmeira, entrando no ministério pelo elevador privativo no dia 13 de março. Ela carrega um envelope de cor parda, no qual a PF acredita que estavam R$ 100 mil.

Diretora financeira da Gautama, Palmeira se dirige até o andar do gabinete de Silas Rondeau. Lá, encontra-se com o assessor do ministro.

Saída complicada

A saída do ministro Silas Rondeau dividiu a cúpula do PMDB nos últimos dias. O senador José Sarney (AP) foi o primeiro a defender que deixasse o ministério, ainda que a título de afastamento.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), discordavam da demissão súbita, sem antes articular o sucessor do PMDB.

Diante dos sinais de que a saída era irreversível, Sarney se mobilizou para tentar manter o espaço do partido à frente de Minas e Energia.

Renan e Sarney se encontraram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem à tarde para uma conversa reservada. Foi neste encontro, conta um dirigente do PMDB, que Sarney tratou da sucessão de Rondeau. Convencido de que seu ministro teria de ser “sacrificado”, Sarney sugeriu outros nomes.