PM prende chefe de segurança de presídio em Minas

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Publicado quarta-feira, 12 de dezembro de 2001 as 22:30, por: cdb

A Polícia Militar prendeu hoje, em operação de surpresa na Penitenciária José Maria Alkmim, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte, nove pessoas – cinco internos, três agentes penitenciários e o chefe de segurança da instituição, o capitão PM reformado José Nilson Soares Gomes. Todos são acusados de tráfico de drogas e de facilitação de fugas.

A operação envolveu 140 homens e foi determinada pelo juiz criminal Wenderson Souza Lima. O juiz atendeu solicitação da Promotoria de Justiça de Ribeirão das Neves, que desde o mês passado vinha investigando denúncias contra detentos, funcionários e o diretor de segurança do presídio. De acordo com a secretária de Justiça e Direitos Humanos de Minas, Angela Pace, não há indícios, no entanto, de que o ex-capitão estivesse envolvido com a venda de drogas.

“Pelo que apuramos, o que há contra ele, de fato, é a questão da omissão, já que teria conhecimento de irregularidades e não fez nada para que acabassem”, disse. O Sindicato dos Agentes Penitenciários de Minas, entretanto, tem outra visão. “O chefe de segurança está envolvido não só no tráfico de drogas, mas na fuga de pelo menos um preso da José Maria Alkmin”, disse o diretor da entidade, José Fábio Gonçalves.

A PM encaminhou os internos, os agentes e o ex-capitão, todos com mandados de prisão temporária expedidos pelo juiz Lima, para o Departamento de Operações Especiais da Polícia Civil (Deoesp), onde prestaram depoimento. O Sindicato dos Agentes Penitenciários de Minas tem outra visão. Na varredura realizada na José Maria Alkmim, os policiais encontraram, em poder dos detentos, 94 buchas e um pacote de maconha, de quantidade não revelada, 30 gramas de crack, um pacote de cocaína, uma balança de precisão, dois telefones celulares e 40 armas brancas.

O delegado do Deoesp, Rubens Faria, encarregado do caso, investiga se há ligações entre quadrilhas de traficantes de São Paulo e do Rio de Janeiro e detentos e funcionários de presídios mineiros, que também formariam organizações criminosas . Outras seis pessoas foram detidas pela Polícia Civil no mesmo inquérito, entre elas um advogado, identificado como César Tadeu Dias.