Pimenta quer discutir censura da Folha ao Falha de São Paulo

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Publicado quinta-feira, 25 de agosto de 2011 as 11:55, por: cdb

Essa não dá para perder. O requerimento do deputado Paulo Pimenta (PT-RS) na Comissão de Legislação Participativa da Câmara para pedir uma audiência pública “para debater o silêncio da mídia no caso de censura imposto pelo jornal Folha de S.Paulo ao site  de sártiras www.falhadesaopaulo.com.br” será votado no dia 31 de agosto. O jornal entrou com uma ação contra o blog e conseguiu tirá-lo do ar na Justiça.

Pimenta sugere no seu requerimento que sejam convidados para a audiência o diretor de redação do jornal, Otavio Frias Filho, o diretor-executivo, Sérgio Dávila, o secretário de Redação, Vinicius Mota, e Taís Gasparian, advogada da Folha. Também propõe convite a Lino e Mario Bocchini, responsáveis pelo blog, assim como pede a presença da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) para o debate.

O deputado defende que a Câmara discuta a recorrente prática de censura que vem sendo usada por alguns grupos de comunicação no Brasil. A Folha sentiu o golpe. Em notas no seu portal Folha.com, ontem, e hoje, no próprio jornal impresso, alega que não censurou o blog. Responsabiliza a Justiça como a responsável pela determinação que obriga o blog a deixar de usar o logotipo da Folha, assim como o domínio falhadespaulo.com.br na internet.
 
Censura patrocinada pelos defensores da liberdade de expressão

Para Paulo Pimenta, no entanto, o jornal assumiu no episódio uma posição contraditória. “É um caso típico de censura patrocinado exatamente por um representante de um segmento que ostensivamente sustenta a tese da liberdade de expressão sem qualquer controle”, argumenta o congressista.

Pimenta recorda casos em que a mesma advogada da Folha – Taís Gasparian – defendeu um colunista do jornal, José Simão, contra uma ação da atriz Juliana Paes, usando o argumento de que tentar limitar o humor é, na prática, uma forma de censura. “Temos no Brasil uma tradição de programas de paródias e sátiras”, diz ele, citando o Casseta & Planeta e a Escolinha do Professor Raimundo. “Esses programas sempre foram críticos e criaram personagens para parodiar pessoas conhecidas e notícias fantasiosas que remetem à realidade. Quem não se lembra das imitações de Lula e de Dilma?”, argumenta o parlamentar.

Segundo o deputado, o argumento da Folha, ao alegar que não censurou o blog, não se sustenta. O jornal responsabiliza a Justiça pelo fato e cita o juiz da ação, que alegou haver “inequívoca confusão” entre o nome do blog (Falha de São Paulo) e o título do jornal. No entanto, lembra o deputado, foi o próprio jornal o autor da ação que levou às sanções.

Este é mais um episódio que revela a verdadeira face da mídia brasileira. Liberdade de expressão para seus barões e colunistas, mas censura para aqueles a criticam, parodiam e ridicularizam as suas contradições.