PIB é menor do que o mercado esperava

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Publicado quarta-feira, 26 de novembro de 2003 as 11:08, por: cdb

A economia brasileira mostrou sinais tímidos de melhora no terceiro trimestre, mas ainda será necessário esperar um pouco mais para uma melhor avaliação da retomada do crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,4 por cento em relação ao segundo trimestre deste ano, mas caiu 1,5 por cento na comparação com o mesmo período de 2002, informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Analistas previam, na média, um crescimento de 1,5 por cento contra o segundo trimestre e de 0,1 por cento em relação ao ano passado.

– `O mercado estava exagerando na previsão, achando que a recuperação ia ser bastante forte. O corte de juros ainda não foi totalmente sentido no terceiro trimestre, o impulso maior deve vir no quarto trimestre – disse Fabio Akira, economista sênior do JP Morgan.

Segundo Roberto Olinto, coordenador de Contas Nacionais do IBGE, a forte queda no terceiro trimestre na comparação com 2002 se deve em boa parte à base de comparação, já que o desempenho da economia brasileira no terceiro trimestre do ano passado foi bastante positivo.

Nessa comparação, o PIB dos três setores da economia registrou queda: de 1,6 por cento na indústria, de 2,8 por cento na agropecuária e de 0,8 por cento nos serviços. Já em relação ao segundo trimestre de 2003, o PIB industrial cresceu 2,7 por cento e o de serviços, 0,1 por cento. Mas a agropecuária registrou forte queda de 6,7 por cento. Segundo Olinto, isso ocorreu devido à entressafra e, principalmente, à queda da colheita de café, mas ele espera, no entanto, que os números da produção agropecuária se ajustem até o final do ano.

Segundo o IBGE, o dado do segundo trimestre na comparação foi revisado com o primeiro, de queda de 1,6 por cento para declínio de 1,2 por cento.

Para Marcelo Ávila, economista-chefe da consultoria Global Station, os números divulgados pelo IBGE são “uma prova inquestionável de uma política monetária exagerada”.

– Não estamos saindo da estagnação na velocidade que a gente achava. Vamos sair, mas mais lentamente – acrescentou Ávila.

A economia mostrou-se fortemente abatida no primeiro semestre, refletindo sobretudo um forte aperto monetário promovido desde outubro de 2002. Em junho, o Banco Central começou a reduzir os juros, levando-os de um pico de 26,5 por cento entre fevereiro e junho para 17,5 por cento em novembro.