PIB chega a aumentar 50% em certas regiões do país, segundo estudo internacional

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Publicado quinta-feira, 27 de dezembro de 2012 as 12:15, por: cdb
Atualizado em 29/12/12 20:04
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A economia brasileira é um exemplo de descentralização para os demais países do mundo, nos últimos anos, segundo constata uma pesquisa da Brookings Institution, com sede em Washington. Segundo o estudo “o Produto Interno Bruto (PIB) per capita cresceu pelo menos 33% em todas as 13 regiões metropolitanas, mas em quatro (Grande Vitória, Recife, Curitiba e Baixada Santista) a expansão superou os 50%”. De acordo com o pesquisador sênior da instituição, Jill Wilson, os dados comparam a situação do Brasil entre 1990 e 2012. Wilson acrescenta que, apesar das mudanças dos últimos anos, a economia brasileira ainda é altamente concentrada no litoral.

– Apenas duas regiões (Manaus e Brasília) não estão na costa – observa.

Segundo o pesquisador, o Brasil alcançou, definitivamente, o status de potência econômica mundial.

– Ao longo das últimas três décadas, uma série de líderes políticos adotou medidas para estabilizar o país e fundar as bases para uma economia nova e dinâmica – disse.

Mas nem tudo está resolvido, acrescenta o pesquisador. Ele percebe que o país ainda precisa avançar, sobretudo, quanto ao PIB per capita.

– A maioria das regiões metropolitanas brasileiras tem uma renda per capita inferior à das regiões metropolitanas de países desenvolvidos, com exceção de Brasília – assinala.

Para o especialista, os dados comparativos precisam de uma análise mais cuidadosa.

– O PIB per capita da região metropolitana de São Paulo, por exemplo, é próximo ao de Portugal e supera o da região metropolitana do Porto. No entanto, equivale a apenas três quartos do PIB per capita de Lisboa – compara.

Com base no estudo, Wilson aponta dois pontos importantes. O primeiro é que a pesquisa confirma a perda de espaço da indústria de manufatura na economia brasileira.

– A participação desse segmento no PIB nacional caiu de 20% em 1990 para 16% em 2012 – afirma, após observar que segmentos como agricultura, mineração, hotéis, serviços financeiros e serviços de informação ganharam mais espaço.

Outro ponto, segundo o pesquisador, refere-se aos movimentos migratórios e imigratórios. Como indicativo, ele cita a Baixada Santista, onde a fatia da População Economicamente Ativa (PEA) que nasceu fora do Estado de São Paulo passou de 14% em 1990 para 25% em 2012. A região é uma das mais promissoras do ponto de vista econômico devido às descobertas do pré-sal. Já a região metropolitana de Belo Horizonte reduziu, no mesmo período, a participação dos não nascidos em Minas Gerais na PEA: de 14% para 5,8%.

Wilson também observa que na Grande Vitória houve o registro da maior taxa de emigração no censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): ao todo, 5,7 em cada mil habitantes deixaram a localidade. Ele lembra, ainda, que 30% desses emigrantes foram para Portugal, outros 30% para os Estados Unidos e 13% se mudaram para a Itália.

De acordo com o estudo, o Brasil concentra 13 das 300 principais regiões metropolitanas do mundo, segundo a Brookings Institution, uma entidade sem fins lucrativos com sede em Washington cuja missão é a realização de pesquisas independentes. O estudo, apoiado pelo banco norte-americano JP Morgan Chase, foi produzido para os investidores, que precisam tomar suas decisões ao abrir ou ampliar negócios no país.