PGR analisa dados de conta secreta atribuída a Cunha

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Publicado quarta-feira, 30 de setembro de 2015 as 19:21, por: cdb

Por Redação – de Brasília

As autoridades brasileiras receberão, nas próximas horas, os dados pedidos ao governo da Suíça sobre uma conta secreta mantida, segundo investiga a Polícia Federal (PF), por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados. O saldo total da conta, ainda não revelado, está à disposição da Justiça brasileira.

Cunha
Se o STF aceitar denúncia do MPF em decisão colegiada, Cunha passará à condição de réu na Justiça

Cunha, um dos principais líderes peemedebistas — desafeto declarado da presidenta da República, Dilma Rousseff — é suspeito de cometer crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, entre outros. O deputado fluminense figura em processo no Ministério Público suíço, desde abril deste ano, como suspeito de envolvimento em práticas ilícitas, naquele país. No Brasil, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu informações ao Estado suíço sobre a investigação, mas não revelou o teor dos documentos obtidos.

Eduardo Cunha também foi citado por delatores da Operação Lava Jato, os lobistas Júlio Camargo e Fernando Soares, o Fernando Baiano. Ambos disseram que o parlamentar recebeu US$ 5 milhões em propina, por participar da fraude à licitação de um afretamento de navios-sondas pela diretoria internacional da Petrobras, controlada pelo PMDB.

O lobista João Augusto Henriques, também ligado ao PMDB e preso pela PF no âmbito da Operação Lava Jato, corrobora os depoimentos que acusam o presidente da Câmara de manter contas no exterior, não declaradas à Receita Federal. Henriques afirma, ainda, desconhecer que os recursos pertenciam ao deputado e soube que Cunha era o responsável pela conta, posteriormente, pelas autoridades suíças.

Em seu depoimento, Henrique não citou o valor ou a data da operação. O pagamento, afirmou, era devido a uma comissão para o economista Felipe Diniz, filho do deputado federal Fernando Diniz (PMDB-MG), morto em 2009. Diniz, segundo afirmou, teria direito a uma propina por ter ajudado, com apoio de Cunha, a fraudar a aquisição, pela Petrobras, de um campo de exploração em Benin, na África.

Advogado de Cunha, Antonio Fernando de Souza foi procurado pela reportagem do Correio do Brasil mas não respondeu aos pedidos de entrevista até o fechamento desta edição.