PFL vai anunciar a FHC que rejeita Serra

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Publicado sexta-feira, 26 de abril de 2002 as 00:39, por: cdb

O presidente nacional do PFL, senador licenciado Jorge Bornhausen (SC), vai comunicar oficialmente ao presidente Fernando Henrique Cardoso, depois do feriado de 1º de maio, que seu partido rejeita, definitivamente, o nome do senador tucano José Serra (SP) para a Presidência da República.

“Portanto”, dirá Bornhausen, “o PFL não deve apoiar ninguém no primeiro turno da eleição presidencial, o que o deixará livre para fazer coligações diferentes nos diversos Estados”. A primeira parte da derradeira consulta para saber as tendências do partido foi concluída nesta quinta-feira.

Na segunda-feira, Bornhausen participa de uma reunião da cúpula do partido com o vice-presidente Marco Maciel, com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (BA), com a ex-governadora Roseana Sarney (MA) e com os governadores e prefeitos de capitais.

Nesse jantar, marcado para o Palácio do Jaburu, residência oficial do vice, os dirigentes do PFL vão dizer que a melhor forma de manter o partido unido é não dar o apoio a nenhum candidato à Presidência no primeiro turno. Deste modo, na avaliação dos dirigentes do PFL, o partido terá condição de eleger entre 20 e 22 senadores e cerca de 100 deputados, o que lhe daria força suficiente para negociar muito bem a participação no futuro governo, vença quem vencer.

A exceção a uma provável aliança seria a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Lula já disse que não aceita a colaboração do PFL. Mas, se o vitorioso for José Serra, Ciro Gomes, do PPS, ou Anthony Garotinho, do PSB, o PFL estará pronto para negociar, disse nesta quinta-feira um dos seus comandantes.

A chegada de Antonio Carlos Magalhães a Brasília na segunda-feira é aguardada com expectativa pela cúpula pefelista. Ela calcula que o ex-senador fará muito barulho, defenderá a aliança com Ciro Gomes, mas, no fim, aceitará a decisão do partido, de não se coligar com ninguém.

Até porque, nas consultas que fez, Bornhausen ouviu dos parlamentares baianos do PFL a defesa da independência total. Significa que o discurso pró-Ciro feito por Antonio Carlos não os convenceu. Preferem a cômoda situação de poder fazer alianças diferentes nos Estados, sempre visando a eleição de uma grande bancada no Congresso.

Durante as conversas com as bancadas, Bornhausen ouviu queixas a respeito do comportamento tido como dúbio da direção pefelista. O deputado Pauderney Avelino (AM), vice-líder do PFL, perguntou-lhe se era verdade que uma parte da direção estava tentando levar a legenda para o apoio a Serra.

Bornhausen afirmou que era tudo especulação. Pauderney insistiu: “Em Santa Catarina, seu filho Paulo Bornhausen é candidato ao Senado com o apoio do governador Esperidião Amin (PPB), que apóia Serra. Isso não levará o senhor a apoiar Serra?”. Bornhausen respondeu que a aliança em Santa Catarina não vai influenciar em nada sua decisão a respeito da coligação nacional.

A um outro dirigente do PFL, Bornhausen admitiu que, se pudesse opinar sobre uma aliança para presidente da República, seria por um acordo com Ciro Gomes.