PF volta ao triplex do Guarujá e indicia Lula em inquérito de Moro

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Publicado sexta-feira, 26 de agosto de 2016 as 17:55, por: cdb

Lula e sua mulher, Marisa Letícia, segundo a PF, “foram beneficiários de vantagens ilícitas, por parte da construtora OAS, em valores que alcançaram R$ 2,4 milhões”

 

Por Redação – de Curitiba e São Paulo

 

A Polícia Federal (PF) indiciou, nesta sexta, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sob suspeita de corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro no inquérito que investiga o tríplex no Guarujá, no litoral de São Paulo. A medida repisa o assunto, referente ao apartamento de propriedade indeterminada, uma vez que alvo de outras investigações, em curso, no âmbito da Justiça Federal.

Lula e Marisa têm sido alvo de uma série de perseguições pela Justiça brasileira
Lula e Marisa têm sido alvo de uma série de perseguições pela Justiça brasileira

Trata-se, porém, do primeiro indiciamento de Lula na Operação Lava Jato, processo no qual pesam outras acusações sobre o líder petista que, por sua vez, acusa do titular da ação, juiz Sergio Moro, da Vara Federal do Paraná, de promover uma “caçada judicial”. O petista também é investigado em outros inquéritos, ainda em andamento.

Lula e sua mulher, Marisa Letícia, segundo a PF, “foram beneficiários de vantagens ilícitas, por parte da construtora OAS, em valores que alcançaram R$ 2,4 milhões”. Marisa responderá à suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A PF investigou a reforma do triplex no condomínio Solaris, construído pela cooperativa Bancoop. O imóvel foi adquirido pelo OAS e recebeu reformas da empreiteira e seu dirigente, o engenheiro Leo Pinheiro, segue preso como suspeito de ter praticado atos de corrupção junto à estatal brasileira do petróleo, Petrobras.

Embora não apresentam qualquer documento legal que prove, inexoravelmente, ser a propriedade do imóvel da família Silva, a investigação da PF alega que o triplex “estaria reservado” à mulher de do líder petista e que teria sido reformado para beneficiar os alegados donos do apartamento.

Em nota, o Instituto Lula reafirma que o ex-presidente não é o dono sequer do triplex ou de um sítio no interior paulista. Ainda assim, os investigadores do grupo executivo da Lava Jato afirmam que houve a incorporação de móveis e eletrodomésticos ao apartamento, em uma reforma calculada em R$ 1,1 milhão e paga, segundo os policiais federais, por um ex-diretor da OAS, Paulo Gordilho.

“A OAS chegou a abrir até centro de custos específicos em sua contabilidade para controlar as despesas, com o apelido de ‘zeca pagodinho'”, aponta o relatório do indiciamento, assinado pelo delegado Márcio Anselmo.

A OAS teria pago, ainda, pela mudança do acervo de Lula em Brasília, após o término do seu mandato presidencial. Segundo a PF, R$ 1,3 milhão foram gastos no contrato de transporte, feito em nome da construtora, mas destinado ao ex-presidente.

“Curiosamente, ao invés de realizarem o ato por intermédio do Instituto Lula, buscou-se a ocultação do real titular do contrato mediante a ‘contratação direta’ pela OAS, beneficiária direta do esquema de desvios de recursos no âmbito da Petrobras”, afirma Anselmo, no documento.

Defesa de Lula

Em nota, os advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira, reafirmaram que seu cliente “não praticou qualquer ato ilegal antes, durante ou após o seu mandato e por isso não teme qualquer investigação”. A defesa de Lula também questiona a atuação do juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato no Paraná, e já pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à ONU o afastamento do magistrado no caso, argumentando que ele assumiu o papel de “acusador”.

Leia, adiante, a nota dos advogados:

“Fernando Augusto Fernandes, advogado do Presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, informa que não existe vantagem ilícita e nenhum crime na contribuição após a saída da presidência, para manutenção do Acervo Presidencial. O acervo é privado, de interesse público e do povo brasileiro, regulado pela Lei 8394/91. Tal acervo é composto por milhares de cartas e lembranças do povo brasileiro e autoridades estrangeiras oferecidas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A preservação de toda essa memória é uma das atribuições do Instituto Lula”.